FAQ · Contratação pública
Gestor do contrato: a função que 2017 tornou obrigatória.
O gestor do contrato é a figura de 2017 com maior impacto no dia a dia das entidades — e a que mais dúvidas práticas continua a gerar: quem designar, com que poderes e com que responsabilidade. Estas respostas seguem o artigo 290.º-A.
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
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O que é o gestor do contrato?
É a pessoa designada pelo contraente público para acompanhar permanentemente a execução do contrato. A figura foi introduzida pela revisão de 2017 (Decreto-Lei n.º 111-B/2017) para acabar com os contratos que eram assinados, arquivados e só reabertos quando o problema já era irreversível.
Base legalArtigo 290.º-A do CCP · texto oficial
A designação do gestor é obrigatória?
Sim — o contraente público deve designar um ou mais gestores para cada contrato, e a identificação do gestor é uma das menções obrigatórias do contrato escrito. A ausência de gestor é um dos reparos mais fáceis (e mais frequentes) em auditoria.
Base legalArtigo 290.º-A, n.º 1, do CCP · Artigo 96.º, n.º 1, alínea i), do CCP · texto oficial
Quem pode ser designado gestor do contrato?
Em regra, um trabalhador ou dirigente do contraente público com competência técnica adequada ao objeto do contrato. Em contratos de especial complexidade, o contraente público pode designar mais do que um gestor, definindo com clareza as funções e responsabilidades de cada um, e, em casos excecionais e fundamentados, contratualizar a gestão com um terceiro.
Base legalArtigo 290.º-A, n.ºs 1, 2 e 6, do CCP · texto oficial
O que faz o gestor no dia a dia?
Acompanha os prazos e as obrigações das partes, verifica os níveis de serviço e a faturação, regista a execução e mantém a informação do contrato atualizada. É o ponto de contacto natural entre a entidade e o cocontratante — e a memória institucional do contrato quando as pessoas mudam.
Base legalArtigo 290.º-A do CCP · texto oficial
E quando deteta desvios ou incumprimentos?
Deve comunicá-los de imediato ao órgão competente e propor, em relatório, as medidas corretivas adequadas — da simples interpelação à aplicação de sanções contratuais. O gestor sinaliza e propõe; a decisão pertence ao órgão com competência para ela, salvo se este lhe tiver delegado poderes para adotar as medidas corretivas — delegação que nunca abrange a modificação nem a cessação do contrato.
Base legalArtigo 290.º-A, n.ºs 4 e 5, do CCP · texto oficial
A mesma pessoa pode gerir vários contratos?
O Código não o proíbe — e na prática é inevitável em entidades com centenas de contratos ativos. O limite é material: o acompanhamento tem de ser efetivo, e uma carteira de contratos que ninguém consegue acompanhar é equivalente a não ter gestor. Ferramentas de alertas de prazos e obrigações são, aqui, meio caminho andado.
Base legalArtigo 290.º-A do CCP · texto oficial
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Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.