FAQ · Contratação pública
Modificação de contratos: até onde se pode mexer no que foi assinado.
Modificar um contrato público é possível — mas dentro de um corredor estreito que protege a concorrência do procedimento original. Estas respostas dão o enquadramento; nos limites quantitativos finos, o caso concreto manda e vale a pena confirmar os artigos citados.
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Nesta página
- 1Um contrato público pode ser modificado?
- 2As novas regras valem para contratos celebrados antes de outubro de 2026?
- 3Que limites travam as modificações?
- 4E os «trabalhos a mais» nas empreitadas?
- 5E se os custos dispararem durante a execução?
- 6As modificações têm de ser publicitadas?
- 7Quem decide a modificação e que forma deve ter?
Um contrato público pode ser modificado?
Pode, nos cinco casos que o artigo 312.º enumera desde 1 de outubro de 2026: modificações de pequeno valor (abaixo dos limiares europeus e de 10 % do preço inicial, 15 % nas empreitadas); as previstas em cláusulas contratuais claras, precisas e inequívocas; prestações complementares até 50 %, quando mudar de cocontratante não é viável; circunstâncias imprevisíveis até 50 %; e qualquer modificação não substancial, independentemente do valor. Fora destes casos, a alteração é ilícita — por mais que convenha às duas partes.
Base legalArtigo 312.º do CCP · texto oficial
As novas regras valem para contratos celebrados antes de outubro de 2026?
Sim. Ao contrário do resto da revisão, as alterações em matéria de modificação objetiva do contrato aplicam-se de imediato aos contratos em execução a 1 de outubro de 2026. Uma modificação decidida desde essa data segue os artigos 311.º a 315.º novos, seja qual for a data do contrato; as decididas até 30 de setembro seguiram a redação anterior.
Base legalArtigo 10.º, n.º 2, do Decreto-Lei n.º 177/2026 · texto oficial
Que limites travam as modificações?
Além dos tetos de cada permissão, dois limites qualitativos: a modificação não pode alterar a natureza global do contrato nem configurar uma forma de impedir, restringir ou falsear a concorrência (artigo 313.º, n.º 1). E fora das permissões de valor, só passa se não for substancial: se, feita à partida, teria mudado quem concorreu ou quem ganhou, desequilibrado o contrato a favor do cocontratante ou alargado consideravelmente o seu âmbito, o caminho não é modificar — é lançar novo procedimento.
Base legalArtigo 312.º, n.º 3, do CCP · Artigo 313.º do CCP · texto oficial
E os «trabalhos a mais» nas empreitadas?
Desde 2017, a figura chama-se trabalhos complementares. Desde 1 de outubro de 2026, são os trabalhos executados ao abrigo da alínea c) do n.º 1 do artigo 312.º: espécie ou quantidade não prevista no contrato, realização necessária, mudança de empreiteiro inviável e altamente inconveniente, até 50 % do preço inicial em valor acumulado. A fronteira com o «erro do projeto» continua a determinar quem paga (artigo 378.º).
Base legalArtigo 370.º do CCP · Artigos 312.º e 313.º do CCP · texto oficial
E se os custos dispararem durante a execução?
A alteração anormal e imprevisível das circunstâncias deixou de ser uma permissão de modificação. Desde 1 de outubro de 2026 dá à parte lesada direito a uma compensação financeira fixada por equidade, quando a exigência das obrigações afete gravemente a boa-fé e não esteja coberta pelos riscos próprios do contrato (artigo 314.º-A); e à reposição do equilíbrio financeiro quando a alteração for imputável a decisão do contraente público fora dos seus poderes contratuais (artigo 314.º-B).
Base legalArtigos 314.º-A e 314.º-B do CCP · texto oficial
As modificações têm de ser publicitadas?
Sim — todas as modificações, incluindo as prestações complementares, são publicitadas no portal BASE até cinco dias após a sua concretização, e a publicidade é condição de eficácia para efeitos de quaisquer pagamentos. Nos contratos anunciados no JOUE, as prestações complementares e as modificações por circunstâncias imprevisíveis publicitam-se também lá.
Base legalArtigo 315.º do CCP · texto oficial
Quem decide a modificação e que forma deve ter?
Por acordo das partes, por decisão judicial ou arbitral, ou por ato do contraente público no exercício do seu poder de modificação unilateral, com fundamentação escrita que identifique a permissão do artigo 312.º invocada. A modificação por acordo não pode ter forma menos solene do que o contrato e junta-se ao processo; modificações de facto, executadas sem suporte documental, são o pior dos mundos em auditoria.
Base legalArtigos 302.º, 311.º e 312.º do CCP · texto oficial
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Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.