FAQ · Contratação pública
Prazos e tramitação: contar bem para decidir a tempo.
Metade dos vícios de procedimento nasce de prazos mal contados. Este tema junta as regras de contagem, a audiência prévia e os marcos que não podem falhar entre a abertura das propostas e a adjudicação. Para pôr as datas no calendário, há a calculadora de prazos do CCP.
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Nesta página
- 1Como se contam os prazos na fase de formação do contrato?
- 2O que é a audiência prévia e que prazo tem?
- 3Quando pode a audiência prévia ser dispensada?
- 4Por quanto tempo os concorrentes ficam obrigados a manter as propostas?
- 5Até quando tem de ser tomada a decisão de adjudicação?
- 6Os pedidos de esclarecimentos prorrogam o prazo das propostas?
Como se contam os prazos na fase de formação do contrato?
Depende do prazo. Os prazos para apresentar propostas, candidaturas e soluções são contínuos: correm aos sábados, domingos e feriados. Os restantes prazos da formação do contrato, como os da audiência prévia ou das impugnações administrativas, contam-se pelo artigo 87.º do Código do Procedimento Administrativo: não se conta o dia do evento e o prazo suspende-se aos sábados, domingos e feriados. Nunca se aplica a dilação do artigo 88.º do mesmo Código. No concurso público urgente, o prazo das propostas conta também o dia do evento. Na execução dos contratos administrativos, os prazos são contínuos.
Base legalArtigo 470.º do CCP · Artigo 471.º do CCP · texto oficial
O que é a audiência prévia e que prazo tem?
Depois de elaborado o relatório preliminar, com a ordenação das propostas, o júri envia-o a todos os concorrentes, que se podem pronunciar por escrito antes da decisão: é a audiência prévia. O prazo não pode ser inferior a cinco dias no concurso público nem a três dias na consulta prévia. No regime de flexibilização do concurso público, pode ser reduzido a três dias. As observações apresentadas têm de ser ponderadas no relatório final, com resposta fundamentada.
Base legalArtigos 122.º a 124.º do CCP · Artigos 146.º a 148.º do CCP · Artigo 161.º-B, n.º 1, alínea b), do CCP · texto oficial
Quando pode a audiência prévia ser dispensada?
Na formação do contrato, o caso previsto no Código é o de ter sido apresentada uma única proposta: não há relatórios preliminar e final nem audiência prévia. Fora dos casos previstos, a falta de audiência prévia é um vício do procedimento, que pode levar à anulação da adjudicação.
Base legalArtigo 125.º, n.º 2, do CCP · Artigo 147.º do CCP · texto oficial
Por quanto tempo os concorrentes ficam obrigados a manter as propostas?
Por 66 dias contados do termo do prazo de apresentação, salvo prazo diferente fixado nas peças do procedimento. Passado esse período sem adjudicação, os concorrentes ficam livres de manter as condições oferecidas.
Base legalArtigo 65.º do CCP · texto oficial
Até quando tem de ser tomada a decisão de adjudicação?
A decisão de adjudicação deve ser tomada e notificada aos concorrentes até ao termo do prazo de manutenção das propostas. Por motivo justificado, pode sê-lo depois, mas o concorrente escolhido pode então recusar a adjudicação, e, se recusar, a entidade adjudicante indemniza-o pelos encargos que comprovadamente teve com a elaboração da proposta.
Base legalArtigo 76.º do CCP · Artigo 65.º do CCP · texto oficial
Os pedidos de esclarecimentos prorrogam o prazo das propostas?
Por si, não. O prazo é prorrogado quando os esclarecimentos ou as retificações das peças são comunicados depois do prazo previsto para o efeito: no mínimo, pelo período do atraso, e, nos procedimentos com anúncio no Jornal Oficial da União Europeia, nunca menos de seis dias, ou de quatro nos casos que a lei indica. Se as retificações ou a aceitação de erros e omissões alterarem aspetos fundamentais das peças, a prorrogação é, no mínimo, igual ao tempo já decorrido desde o início do prazo. Qualquer interessado pode ainda pedir, fundamentadamente, uma prorrogação, que aproveita a todos.
Base legalArtigo 50.º do CCP · Artigo 64.º do CCP · texto oficial
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Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.