Parte II · Capítulo III — Escolha do procedimento em função de critérios materiais
Artigo 23.º — Regra geral.
A escolha do procedimento nos termos do disposto no presente capítulo permite a celebração de contratos de qualquer valor, sem prejuízo das exceções expressamente previstas.
Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
A escolha do procedimento nos termos do disposto no presente capítulo permite a celebração de contratos de qualquer valor, sem prejuízo das exceções expressamente previstas.
Texto da versão consolidada anterior do Decreto-Lei n.º 18/2008, aplicável aos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
Anotações Procurai
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Em síntese
Uma frase que muda tudo: a escolha do procedimento ao abrigo dos critérios materiais — o capítulo dos artigos 23.º a 30.º-A — permite a celebração de contratos de qualquer valor, sem prejuízo das exceções expressamente previstas.
Na prática
- É esta a norma que responde à pergunta mais frequente sobre o ajuste direto: sim, é possível acima dos 75 000 € em bens e serviços ou dos 150 000 € nas empreitadas (20 000 € e 30 000 € nos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026), desde que se verifique um critério material do artigo 24.º e seguintes.
- Em contrapartida, o critério material tem de estar demonstrado na decisão de contratar: urgência imperiosa resultante de acontecimentos imprevisíveis e não imputáveis à entidade, ausência de propostas em concurso anterior, inexistência de concorrência por motivos técnicos, direitos exclusivos.
- «Sem prejuízo das exceções expressamente previstas» remete para os limites que o próprio Código impõe a alguns desses critérios: o concurso anterior abaixo dos limiares europeus com todas as propostas excluídas (artigo 24.º, n.º 1, alínea b)), a investigação e desenvolvimento abaixo dos limiares europeus (artigos 25.º, n.º 1, alínea b), 26.º, n.º 1, alínea b), e 27.º, n.º 1, alínea e)) e os serviços intelectuais e o software em subscrição, também abaixo desses limiares (artigo 27.º, n.º 3).
Cuidados
A ausência de limite de valor é exatamente o que torna estes procedimentos o alvo preferencial da fiscalização: um ajuste direto de milhões é legal se o fundamento se verificar, e insustentável se não se verificar. A fundamentação tem de ser contemporânea da decisão e assentar em factos — «era urgente» sem demonstração de imprevisibilidade e de não imputabilidade à própria entidade é a formulação que mais recusas de visto motiva.
Relacionados
Nesta revisão
O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.
Referido em
Artigo anterior
Artigo 22.º — Contratação de prestações do mesmo tipo em diferentes procedimentos
Artigo seguinte
Artigo 24.º — Escolha do ajuste direto para a formação de quaisquer contratos
O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.
Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.