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Parte II · Capítulo VII — Análise das propostas e adjudicação

Artigo 74.º — Critério de adjudicação.

Texto da republicação (DL 177/2026)Anotações atualizadas em setembro de 2026

1 - A adjudicação é feita de acordo com o critério da proposta mais vantajosa, determinado de modo a assegurar a melhor relação entre os custos suportados e os benefícios proporcionados pela execução do contrato, através de uma das seguintes modalidades:

a) Multifator, de acordo com a qual o critério de adjudicação é densificado por um conjunto de fatores, e eventuais subfatores, correspondentes a diversos aspetos da execução do contrato a celebrar;

b) Monofator, de acordo com a qual o critério de adjudicação é densificado por um fator correspondente a um único aspeto da execução do contrato a celebrar, designadamente o preço.

2 - Quando seja adotada a modalidade multifator deve ser elaborado um modelo de avaliação das propostas nos termos do artigo 139.º, sem prejuízo do disposto na alínea b) do n.º 2 do artigo 115.º

3 - Quando seja adotada a modalidade monofator e o aspeto da execução do contrato a celebrar submetido à concorrência não possua natureza quantitativa, deve ser elaborada uma grelha de avaliação das propostas com base num conjunto ordenado de diferentes atributos suscetíveis de serem propostos, sem prejuízo do disposto na alínea b) do n.º 2 do artigo 115.º

4 - O convite ou o programa do procedimento pode definir critérios de desempate na avaliação das propostas, designadamente através da utilização dos fatores e subfatores densificadores do critério de adjudicação.

5 - Para efeitos do disposto no número anterior:

a) É vedada a utilização do critério do momento de entrega das propostas;

b) Caso não seja definido o critério de desempate no convite ou no programa do procedimento, devem ser utilizados os respetivos fatores e subfatores densificadores, por ordem decrescente de ponderação relativa;

c) Quando o critério de desempate aplicável não permita desempatar as propostas, deve recorrer-se ao sorteio.

6 - [Revogado.]

7 - A utilização da modalidade prevista na alínea b) do n.º 1 implica que o caderno de encargos não submeta à concorrência todos os restantes aspetos da execução do contrato a celebrar.

Alterado porDL n.º 111-B/2017, de 31/08 · Lei n.º 30/2021, de 21/05 · DL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia

Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.

Anotações Procurai

Por , Head of Public Sector na Closer

Em síntese

A adjudicação faz-se pelo critério da proposta mais vantajosa, determinado de modo a assegurar a melhor relação entre os custos suportados e os benefícios proporcionados pela execução do contrato, numa de duas modalidades (n.º 1): multifator, com vários fatores e subfatores correspondentes a diversos aspetos da execução; e monofator, com um só aspeto, designadamente o preço. A multifator exige um modelo de avaliação nos termos do artigo 139.º (n.º 2); a monofator sobre um aspeto não quantitativo exige uma grelha de avaliação (n.º 3). A monofator implica que o caderno de encargos não submeta à concorrência os restantes aspetos da execução (n.º 7).

Na prática

  • Escolher a modalidade é escolher o que se submete à concorrência. Na monofator preço, todos os outros aspetos ficam fixados no caderno de encargos e as propostas só se distinguem no preço: é a modalidade certa para bens padronizados e a errada para serviços em que a qualidade varia. O n.º 7 torna isto uma regra.
  • Multifator. Os fatores têm de estar ligados ao objeto do contrato (artigo 75.º) e o modelo de avaliação tem de ser publicado com as peças e aplicado tal como publicado. Fatores de «experiência da empresa» ou «capacidade técnica» avaliam o concorrente, não a proposta, e são ilegais como fatores de adjudicação.
  • Desempate (n.ºs 4 e 5). Desde 1 de outubro de 2026, o convite ou o programa podem definir critérios de desempate, designadamente pelos fatores e subfatores; se não o fizerem, usam-se esses fatores por ordem decrescente de ponderação e, persistindo o empate, o sorteio. O momento de entrega continua vedado.
  • A modalidade e o modelo constam do programa do procedimento ou do convite.

Exemplos

Aquisição de papel de escritório. Monofator preço: o produto está inteiramente especificado no caderno, e só o preço distingue as propostas. Em caso de empate, sorteio.

Serviços de desenvolvimento de software. Multifator: preço (40 %), qualidade da metodologia proposta (35 %), prazo (25 %), com o modelo de avaliação do artigo 139.º a explicitar a escala de cada fator. A experiência da equipa afeta ao contrato pode ser fator, pelo artigo 75.º, n.º 2, alínea b); a da empresa, não.

Concurso multifator em que duas propostas empatam na pontuação global e o programa nada diz sobre desempate. Nos procedimentos iniciados desde 1 de outubro de 2026, desempata-se pelo fator de maior ponderação, depois pelo seguinte, e só no fim por sorteio.

Erros que aparecem em auditoria

  • Fatores que avaliam o concorrente em vez da proposta.
  • Modelo de avaliação com fórmulas de preço que dependem das outras propostas, como a média de preços, proibidas pelo artigo 139.º, n.º 4.
  • Monofator preço com aspetos de qualidade deixados em aberto no caderno de encargos.
  • Grelha de avaliação da monofator qualitativa criada depois de abertas as propostas.

Cuidados

A obrigação que existe é adjudicar segundo o critério e o modelo anunciados nas peças: esses vinculam o júri e a entidade. Não há obrigação de adjudicar à proposta mais barata, salvo quando a entidade escolheu monofator preço e, mesmo aí, uma proposta anormalmente baixa pode ser excluída após contraditório. A formulação nova, a melhor relação entre custos e benefícios, é a do artigo 67.º da Diretiva 2014/24/UE; o advérbio «economicamente» desaparece sem mudança de fundo. Nos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026, o critério de desempate continua a ser obrigatório nas peças.

Perguntas frequentes sobre o artigo 74.º

A entidade é obrigada a adjudicar à proposta mais barata?

Não. O critério é o da proposta mais vantajosa, a melhor relação entre os custos e os benefícios da execução, na modalidade que a entidade escolher e anunciar. Na monofator preço vence a mais barata das admitidas, mas isso resulta da escolha feita nas peças, não de uma obrigação legal; e mesmo aí o preço anormalmente baixo pode ser excluído.

Base legalArtigo 74.º do CCP · Artigo 71.º do CCP · texto oficial

A experiência da empresa pode ser fator de adjudicação?

Não. Os fatores têm de estar ligados ao objeto do contrato e avaliar a proposta, não o concorrente (artigo 75.º). A experiência da empresa pode ser requisito mínimo de capacidade num concurso limitado, nunca fator que pontua propostas. A exceção é a experiência do pessoal afeto ao contrato, quando a qualidade desse pessoal pese na execução.

Base legalArtigo 75.º, n.ºs 2 e 3, do CCP · texto oficial

Como se desempatam propostas?

Pelo critério de desempate do convite ou do programa, se o definirem, e nunca pelo momento de entrega. Desde 1 de outubro de 2026, se as peças não o definirem, usam-se os fatores e subfatores do critério de adjudicação, por ordem decrescente de ponderação; se ainda assim houver empate, sorteio.

Base legalArtigo 74.º, n.ºs 4 e 5, do CCP · texto oficial

Nesta revisão

O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.

Remissões no Código

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