Parte II · Capítulo III — Peças do procedimento
Artigo 47.º — Preço base.
1 - A entidade adjudicante pode fixar no convite ou no programa do procedimento um parâmetro base para o preço a pagar, designado preço base, que é o montante máximo que esta entidade se dispõe a pagar pela execução de todas as prestações que constituem o objeto do contrato, incluindo as eventuais prorrogações.
2 - Quando o contrato a celebrar implique um preço a receber pela entidade adjudicante, o preço base corresponde ao montante mínimo que aquela entidade se dispõe a receber pela execução de todas as prestações que constituem o objeto do contrato.
3 - [Revogado.]
4 - [Revogado.]
5 - [Revogado.]
6 - [Revogado.]
Alterado porDL n.º 111-B/2017, de 31/08 · DL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia
Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
1 - O preço base, que deve ser definido pela entidade adjudicante no caderno de encargos, é o montante máximo que esta entidade se dispõe a pagar pela execução de todas as prestações que constituem o objeto do contrato, incluindo eventuais renovações do contrato.
2 - Quando o contrato a celebrar não implique o pagamento de um preço pela entidade adjudicante, o preço base corresponde ao montante previsível a receber pelas prestações que constituem o objeto do contrato.
3 - A fixação do preço base deve ser fundamentada com base em critérios objetivos, tais como os preços atualizados do mercado obtidos através da consulta preliminar prevista no artigo 35.º-A, ou os custos médios unitários, resultantes de anteriores procedimentos, para prestações do mesmo tipo.
4 - O preço base deve respeitar os limites de valor até aos quais pode ser utilizado o tipo de procedimento em causa e os limites máximos de autorização de despesa do órgão competente para a decisão de contratar, se aplicáveis.
5 - Em casos excecionais, devidamente fundamentados, a entidade adjudicante pode não fixar preço base, desde que o procedimento permita a celebração de contratos de qualquer valor e o órgão competente para a decisão de contratar não esteja sujeito a limites máximos de autorização de despesa ou ao regime de autorização de despesas.
6 - No caso de agrupamentos de entidades adjudicantes, o valor a considerar para efeitos do n.º 4, na parte em que se refere ao valor de autorização de despesa, corresponde à soma dos valores máximos até aos quais os órgãos competentes de cada uma daquelas entidades, por lei ou por delegação, podem autorizar a respetiva fração da despesa inerente ao contrato a celebrar.
Alterado porDL n.º 111-B/2017, de 31/08 — ver a cronologia
Texto da versão consolidada anterior do Decreto-Lei n.º 18/2008, aplicável aos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
Anotações Procurai
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Em síntese
O artigo 47.º define o preço base: o montante máximo que a entidade adjudicante se dispõe a pagar pela execução de todas as prestações do contrato, prorrogações incluídas (n.º 1), ou o mínimo que se dispõe a receber, quando é ela quem recebe (n.º 2). Desde 1 de outubro de 2026 é facultativo: a entidade «pode» fixá-lo, e fá-lo no convite ou no programa do procedimento, não no caderno de encargos. Os n.ºs 3 a 6, que impunham a fundamentação, a vinculação ao limiar do procedimento e aos limites de autorização de despesa, e o regime excecional de não fixação, foram revogados.
Quando existe, continua a ser o teto do procedimento: propostas acima dele são excluídas (artigo 70.º, n.º 3, alínea d)). O que é agora obrigatório, calculado com critérios objetivos e publicado no convite ou no programa, é o valor estimado do contrato (artigo 17.º, n.ºs 2 e 7).
Nos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026, vale a redação anterior, que se mostra mais abaixo: preço base obrigatório, fixado no caderno de encargos, fundamentado e dentro do limiar do procedimento.
Na prática
- O preço base conversa com três vizinhos que não se confundem: o valor estimado (artigo 17.º, que escolhe o procedimento e determina quem autoriza a despesa), o preço contratual (o da proposta adjudicada) e o cabimento orçamental (o teto financeiro interno). Podem coincidir, mas cada um tem a sua função.
- Sem preço base, não há exclusão por preço. O único remédio é o artigo 79.º, n.º 1, alínea e): considerar fundamentadamente que todos os preços são inaceitáveis e não adjudicar, o que mata o procedimento. Fixar preço base continua a ser a regra prudente, e a não fixação deve ter razão documentada.
- O cálculo que suportava o preço base serve agora o valor estimado: preços habituais de mercado, preços obtidos na consulta preliminar do artigo 35.º-A, ou custos médios unitários de procedimentos anteriores para prestações do mesmo tipo (artigo 17.º, n.º 7). Quem fixa preço base com o mesmo estudo tem os dois fundamentados.
- O preço base define o teto; o preço anormalmente baixo (artigo 71.º) trata do chão. Um teto bem estudado é o que torna defensável o juízo sobre propostas suspeitas de irrealismo.
Exemplos
Serviços de vigilância, três anos. Custos médios unitários dos dois contratos anteriores, atualizados pela evolução da retribuição mínima do setor e pelo número de postos: 640 000 €. É este cálculo, e não o orçamento disponível, que fundamenta o valor estimado; fixar o preço base no mesmo montante dá ao júri um teto defensável. Se o orçamento só permite 600 000 €, a entidade reduz o âmbito, não o preço.
Aquisição de equipamento médico sem histórico. Consulta preliminar ao mercado (artigo 35.º-A) a três ou quatro fornecedores, com registo escrito das respostas, e valor estimado e preço base fixados a partir delas. A consulta preliminar não é um procedimento e não compromete a escolha posterior.
Consulta prévia sem preço base em que uma das três propostas vem ao dobro das outras. Não pode ser excluída por preço. Se for a melhor classificada noutros fatores, pode acabar por ganhar; se as outras forem aceitáveis, não há fundamento para não adjudicar. É o cenário que justifica fixar preço base.
Erros que aparecem em auditoria
- Valor estimado sem qualquer memória de cálculo no processo.
- Valor estimado ou preço base fixado ao cêntimo da dotação orçamental, coincidência que denuncia que não houve estudo.
- Proposta adjudicada acima do preço base fixado, o que é causa de exclusão e vício da adjudicação.
- Preço base que ignora as prorrogações previstas, deixando o contrato sem teto para os anos seguintes.
- Aplicar o regime facultativo a um procedimento iniciado até 30 de setembro de 2026.
Cuidados
A passagem a facultativo não é um convite a abandonar o preço base: é a transferência do dever de estudo para o valor estimado. A entidade que deixa de fixar preço base perde o seu instrumento de exclusão mais simples e fica dependente de um juízo global sobre todos os preços.
Perguntas frequentes sobre o artigo 47.º
O preço base é obrigatório?
Não, nos procedimentos iniciados desde 1 de outubro de 2026: a entidade pode fixá-lo no convite ou no programa, e a fundamentação obrigatória incide sobre o valor estimado do contrato (artigo 17.º, n.º 7). Nos iniciados até 30 de setembro, era obrigatório, salvo os casos excecionais do antigo n.º 5.
Base legalArtigo 47.º do CCP · texto oficial
Vale a pena fixar preço base se já não é obrigatório?
Em regra, sim. Sem preço base, nenhuma proposta pode ser excluída por preço (artigo 70.º, n.º 3, alínea d)), e o único remédio contra propostas caras é não adjudicar por serem todas inaceitáveis (artigo 79.º, n.º 1, alínea e)). Uma proposta exorbitante isolada, com as restantes aceitáveis, fica dificilmente excluível.
Base legalArtigo 70.º, n.º 3, do CCP · Artigo 79.º, n.º 1, do CCP · texto oficial
O que acontece a uma proposta acima do preço base?
Quando há preço base fixado no convite ou no programa, é excluída: o preço contratual seria superior ao preço base (artigo 70.º, n.º 3, alínea d)). O antigo mecanismo que admitia, excecionalmente, adjudicar acima do preço base quando todas as propostas eram excluídas não consta do novo texto.
Base legalArtigo 70.º do CCP · texto oficial
Preço base e valor estimado são a mesma coisa?
Não. O valor estimado do contrato (artigo 17.º) é o preço que a entidade estima pagar, é obrigatório, consta do convite ou do programa e escolhe o procedimento; o preço base é o máximo que a entidade se dispõe a pagar, é facultativo e exclui propostas. Podem coincidir, e muitas vezes coincidem.
Base legalArtigo 17.º do CCP · Artigo 47.º do CCP · texto oficial
Relacionados
Nesta revisão
O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.
Referido em
Artigo anterior
Artigo 46.º-A — Adjudicação por lotes
Artigo seguinte
Artigo 48.º — Fundamentação do prazo de vigência
O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.
Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.