A Procurai já aplica a revisão do CCP.Ver o que muda

Parte I · Título I — Disposições gerais

Artigo 1.º-C — Contratação pública digital.

Texto da republicação (DL 177/2026)Anotações atualizadas em setembro de 2026

1 - No planeamento, na preparação e na condução do procedimento de formação, bem como na execução de contratos públicos, as entidades adjudicantes devem utilizar sistemas digitais, incluindo de inteligência artificial, com o objetivo de garantir a máxima eficiência do procedimento e da execução dos contratos.

2 - Na utilização de sistemas digitais, as entidades adjudicantes devem respeitar os seguintes princípios:

a) Transparência e explicabilidade, de modo a garantir o direito ao conhecimento da utilização de sistemas digitais e ao seu modo de funcionamento;

b) Segurança, mediante a adoção de soluções que minimizem os riscos de erros e de efeitos discriminatórios;

c) Garantia da proteção de dados pessoais, bem como de segredos comerciais e industriais e de outras informações confidenciais;

d) Supervisão e contributo humano, não dispensando a intervenção dos titulares dos órgãos competentes na verificação dos resultados produzidos pelos sistemas digitais;

e) Garantia de interoperabilidade entre os sistemas digitais utilizados e plataformas agregadoras do Estado.

Alterado porDL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia

Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.

Anotações Procurai

Por , Head of Public Sector na Closer

Em síntese

O artigo 1.º-C cria um dever novo: no planeamento, na preparação e na condução dos procedimentos, e na execução dos contratos, as entidades adjudicantes devem utilizar sistemas digitais, incluindo de inteligência artificial, com o objetivo de garantir a máxima eficiência (n.º 1). O uso fica sujeito a cinco princípios: transparência e explicabilidade, segurança, proteção de dados e de segredos comerciais, supervisão e contributo humano, e interoperabilidade com as plataformas agregadoras do Estado (n.º 2).

Na prática

  • Um dever, não uma faculdade. O n.º 1 diz «devem utilizar». Não identifica ferramentas nem fases: deixa à entidade a escolha de como, mas não a de ignorar o digital.
  • Transparência e explicabilidade (alínea a)). Quem é afetado tem direito a saber que se usou um sistema digital e como funciona.
  • Segurança (alínea b)). As soluções devem minimizar o risco de erros e de efeitos discriminatórios. Numa ferramenta que analisa ou ordena propostas, isso significa testar e documentar o seu comportamento.
  • Dados e segredos (alínea c)). Os sistemas não podem expor dados pessoais nem segredos comerciais e industriais das propostas, o que pesa na escolha de serviços externos.
  • Supervisão humana (alínea d)). Os titulares dos órgãos competentes têm de intervir na verificação dos resultados. Um relatório preparado com apoio de um sistema digital continua a ser um ato do júri, que tem de verificar o que o sistema produziu.
  • Interoperabilidade (alínea e)). Os sistemas usados devem comunicar com as plataformas agregadoras do Estado.

Exemplos

Uma entidade usa uma ferramenta de inteligência artificial para verificar se as propostas trazem todos os documentos exigidos. Pode fazê-lo, mas o júri tem de confirmar o resultado antes de propor exclusões, e deve ficar registado que ferramenta se usou e como (alíneas a) e d)).

Um concorrente excluído pede para saber como foi analisada a sua proposta. Tem direito a saber se foi usado um sistema digital e qual o seu modo de funcionamento; a entidade pode proteger os segredos comerciais dos outros concorrentes (alíneas a) e c)).

Um município recorre a uma ferramenta gratuita que reutiliza os documentos carregados para treinar os seus modelos. Carregar lá as propostas pode expor segredos comerciais e dados pessoais, contra a alínea c).

Erros a evitar

  • Deixar que um sistema decida exclusões ou pontuações sem verificação humana documentada.
  • Não registar que sistemas foram usados, em que fase e como se verificaram os resultados.
  • Usar ferramentas que guardam ou reutilizam o conteúdo das propostas.
  • Recusar a um concorrente a informação sobre a utilização de sistemas digitais, invocando genericamente o segredo comercial.

Cuidados

É a primeira norma do Código a falar de inteligência artificial, e fá-lo por princípios. Não se articula expressamente com o Regulamento (UE) 2024/1689, sobre inteligência artificial, nem com o artigo 22.º do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, sobre decisões individuais automatizadas, que continuam a aplicar-se por si. A alínea a), o direito de conhecer o funcionamento, e a alínea c), a proteção de segredos, puxam em sentidos contrários, e o artigo não diz como as conciliar. O mais seguro é documentar, em cada procedimento, que sistemas se usaram, para quê e como se fez a verificação humana: é isso que a norma passa a exigir que se prove.

Perguntas frequentes sobre o artigo 1.º-C

O artigo 1.º-C obriga a usar inteligência artificial?

Manda usar sistemas digitais no planeamento, na preparação e na condução dos procedimentos e na execução dos contratos, e inclui expressamente a inteligência artificial entre eles. Não diz que ferramentas usar nem em que fase; fixa os princípios a respeitar quando se usam.

Base legalArtigo 1.º-C, n.ºs 1 e 2, do CCP · texto oficial

Um sistema de inteligência artificial pode decidir sozinho?

Não. A alínea d) exige supervisão e contributo humano: os titulares dos órgãos competentes têm de intervir na verificação dos resultados produzidos pelos sistemas digitais.

Base legalArtigo 1.º-C, n.º 2, alínea d), do CCP · texto oficial

O concorrente tem direito a saber que sistemas foram usados?

Tem direito a conhecer a utilização de sistemas digitais e o seu modo de funcionamento (alínea a)), com o limite da proteção de dados pessoais e de segredos comerciais e industriais (alínea c)). O artigo não diz como se conciliam as duas alíneas.

Base legalArtigo 1.º-C, n.º 2, alíneas a) e c), do CCP · texto oficial

Que regras europeias se aplicam em paralelo?

O artigo não se articula expressamente com o Regulamento (UE) 2024/1689, sobre inteligência artificial, nem com o artigo 22.º do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, sobre decisões individuais automatizadas. Ambos continuam a aplicar-se por si.

Base legalArtigo 1.º-C do CCP · texto oficial

Nesta revisão

O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.

O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.

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