Parte II · Secção II — Regime geral
Artigo 127.º — Publicitação e eficácia do contrato.
1 - A celebração de quaisquer contratos na sequência de consulta prévia ou ajuste direto deve ser publicitada, pela entidade adjudicante, no portal dos contratos públicos através de uma ficha conforme modelo constante de portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e das obras públicas.
2 - [Revogado.]
3 - A publicitação referida no n.º 1 é condição de eficácia do respetivo contrato para efeitos de quaisquer pagamentos, independentemente da sua redução ou não a escrito.
Alterado porLei n.º 64-B/2011, de 30/12 · DL n.º 111-B/2017, de 31/08 · Lei n.º 30/2021, de 21/05 · DL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia
Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
1 - A celebração de quaisquer contratos na sequência de consulta prévia ou ajuste direto deve ser publicitada, pela entidade adjudicante, no portal dos contratos públicos através de uma ficha conforme modelo constante de portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e das obras públicas.
2 - (Revogado.)
3 - A publicitação referida no n.º 1 é condição de eficácia do respetivo contrato, independentemente da sua redução ou não a escrito, nomeadamente para efeitos de quaisquer pagamentos.
Alterado porLei n.º 64-B/2011, de 30/12 · DL n.º 111-B/2017, de 31/08 · Lei n.º 30/2021, de 21/05 — ver a cronologia
Texto da versão consolidada anterior do Decreto-Lei n.º 18/2008, aplicável aos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
Anotações Procurai
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Em síntese
A celebração de qualquer contrato na sequência de consulta prévia ou ajuste direto tem de ser publicitada no portal dos contratos públicos, o BASE, através da ficha modelo da portaria (n.º 1), e essa publicitação é condição de eficácia do contrato para efeitos de quaisquer pagamentos, independentemente de ele ter ou não forma escrita (n.º 3). Sem ficha no BASE, não há pagamento válido.
Na prática
- A publicitação é feita pela entidade adjudicante, na plataforma, com os elementos da ficha: objeto, procedimento, fundamento, adjudicatário, preço, prazo. A ficha do artigo 465.º, das restantes fases, é outra obrigação.
- Aplica-se ao regime simplificado do artigo 128.º: a dispensa do n.º 3 desse artigo cobre a publicitação do artigo 465.º, não a do 127.º, que se mantém como condição de eficácia.
- A condição de eficácia significa que o contrato existe e é válido, mas não produz efeitos financeiros: a fatura paga antes da publicitação é um pagamento indevido, que a fiscalização aponta e o responsável financeiro pode ter de justificar.
- A publicitação tardia não sana o pagamento feito antes; sana a eficácia daí em diante.
- O portal BASE é também o sítio onde os padrões de fracionamento e de repetição de fornecedores se tornam visíveis, para a inspeção e para os concorrentes.
Exemplos
Ajuste direto de 12 000 € para serviços de manutenção, contrato assinado a 3 do mês, publicitado a 20, primeira fatura paga a 10. O pagamento de dia 10 foi feito com o contrato ineficaz. A entidade deveria ter publicitado antes de pagar; o pagamento indevido fica no relatório de auditoria.
Adjudicação simplificada de 3 000 € sobre fatura. Sem contrato escrito nem gestor do contrato, mas com ficha no BASE antes do pagamento: é o único requisito que o regime simplificado não dispensa.
Contrato de consulta prévia publicitado com o preço errado. Corrigir a ficha; a divergência entre a ficha e o contrato é uma irregularidade que a inspeção compara com o processo.
Erros que aparecem em auditoria
- Pagamentos anteriores à publicitação, sobretudo em ajustes diretos simplificados «urgentes».
- Fichas do BASE sem o fundamento da escolha do procedimento.
- Ausência de publicitação em contratos sem forma escrita, por se pensar que só os escritos se publicam.
- Confusão entre a ficha do artigo 127.º e as do artigo 465.º.
Cuidados
A ficha no BASE é a última formalidade e a que mais consequências tem, porque condiciona o dinheiro. Um processo de ajuste direto que sobrevive a uma auditoria tem a ficha do BASE com data anterior à primeira fatura. Desde 1 de outubro de 2026, o n.º 3 deixa de dizer «nomeadamente» antes dos pagamentos: a publicitação passa a condicionar só os pagamentos, e o contrato produz os restantes efeitos antes dela, incluindo a obrigação de executar. Nos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026, vale a formulação anterior, mais ampla.
Perguntas frequentes sobre o artigo 127.º
O ajuste direto simplificado tem de ser publicitado no BASE?
Sim. O regime simplificado dispensa as formalidades do contrato, a designação do gestor e a publicitação do artigo 465.º, mas não a do artigo 127.º, que é condição de eficácia do contrato para efeitos de pagamento.
Base legalArtigo 127.º do CCP · Artigo 128.º, n.º 3, do CCP · texto oficial
O que acontece se a entidade pagar antes de publicitar?
O contrato não era eficaz para efeitos de pagamento: o pagamento é indevido e fica exposto na fiscalização. A publicitação posterior confere eficácia daí em diante, mas não apaga o pagamento feito antes.
Base legalArtigo 127.º, n.º 3, do CCP · texto oficial
Contratos sem forma escrita também se publicitam?
Sim. A publicitação é condição de eficácia independentemente de o contrato ter sido ou não reduzido a escrito. Aplica-se a todos os contratos celebrados na sequência de ajuste direto ou consulta prévia.
Base legalArtigo 127.º, n.ºs 1 e 3, do CCP · texto oficial
Relacionados
Nesta revisão
O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.
Referido em
Artigo anterior
Artigo 126.º — Apresentação de documentos de habilitação
Artigo seguinte
Artigo 127.º-A — Noção e regime de consulta prévia especial
O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.
Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.