Parte II · Capítulo II — Escolha do procedimento e valor estimado do contrato
Artigo 17.º — Valor estimado do contrato.
1 - O valor estimado do contrato corresponde ao preço estimado a pagar pela entidade adjudicante e por terceiros, bem como ao valor de quaisquer contraprestações a efetuar em favor do adjudicatário e ainda ao valor das vantagens que decorram diretamente para este da execução do contrato e que possam ser configuradas como contrapartidas das prestações que lhe incumbem.
2 - O valor estimado do contrato, que deve ser indicado no convite ou no programa do procedimento, condiciona a escolha do procedimento, quando esta deva ser feita tendo por base aquele valor, e determina o órgão competente para autorizar a despesa decorrente da celebração do contrato.
3 - [Revogado.]
4 - [Revogado.]
5 - [Revogado.]
6 - [Revogado.]
7 - O cálculo do valor estimado do contrato deve basear-se em critérios económicos objetivos, tais como os preços habituais no mercado, os preços obtidos através da consulta preliminar, ou os custos médios unitários, resultantes de anteriores procedimentos, para prestações do mesmo tipo.
8 - [Revogado.]
9 - [Revogado.]
Alterado porDL n.º 111-B/2017, de 31/08 · Lei n.º 30/2021, de 21/05 · DL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia
Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
Epígrafe nesta redação: «Valor do contrato».
1 - Para efeitos do presente Código, o valor do contrato a celebrar é o valor máximo do benefício económico que pode ser obtido pelo adjudicatário com a execução de todas as prestações que constituem o seu objeto.
2 - O benefício económico referido no número anterior inclui, além do preço a pagar pela entidade adjudicante ou por terceiros, o valor de quaisquer contraprestações a efetuar em favor do adjudicatário e ainda o valor das vantagens que decorram diretamente para este da execução do contrato e que possam ser configuradas como contrapartidas das prestações que lhe incumbem.
3 - No caso de contratos de empreitada de obras públicas, o cálculo do valor do contrato inclui o custo da obra e o valor total dos bens móveis e serviços que são postos à disposição do adjudicatário pela entidade adjudicante.
4 - Nos acordos-quadro e nos sistemas de aquisição dinâmicos, o valor do contrato corresponde ao valor máximo de todos os contratos previstos ao seu abrigo durante a vigência do acordo-quadro ou do sistema de aquisição dinâmico.
5 - No caso das parcerias para a inovação, o valor do contrato corresponde ao valor das atividades de investigação e desenvolvimento que tenham lugar em todas as etapas da parceria prevista, bem como dos bens, dos serviços ou das obras a serem desenvolvidos e adquiridos no final da parceria.
6 - Quando a entidade adjudicante for organizada por unidades orgânicas, na definição do valor do contrato deve ser tido em conta o valor total referente a todas elas, salvo se forem independentemente responsáveis pelas suas aquisições, nomeadamente por se tratar de serviços periféricos ou municipalizados.
7 - A fixação do valor do contrato deve ser fundamentada com base em critérios objetivos, utilizando, como referência preferencial, os custos médios unitários de prestações do mesmo tipo adjudicadas em anteriores procedimentos promovidos pela entidade adjudicante.
8 - O valor do contrato não pode ser fracionado com o intuito de o excluir do cumprimento de quaisquer exigências legais, designadamente, das constantes do presente Código.
9 - Caso não se verifique qualquer das situações referidas nos números anteriores considera-se o contrato sem valor.
Alterado porDL n.º 111-B/2017, de 31/08 · Lei n.º 30/2021, de 21/05 — ver a cronologia
Texto da versão consolidada anterior do Decreto-Lei n.º 18/2008, aplicável aos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
Anotações Procurai
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Em síntese
O artigo 17.º define o valor estimado do contrato, de que depende toda a escolha de procedimento pelo valor: o preço estimado a pagar pela entidade adjudicante e por terceiros, mais o valor das contraprestações a favor do adjudicatário e das vantagens que para ele decorram diretamente da execução do contrato, quando possam ser vistas como contrapartida das suas prestações (n.º 1). É indicado no convite ou no programa, condiciona a escolha do procedimento e determina quem autoriza a despesa (n.º 2), e calcula-se com critérios económicos objetivos (n.º 7). As regras especiais de cálculo e a proibição de fracionar passaram para os artigos 17.º-A e 17.º-B.
Na prática
- Não conta só o que a entidade paga: o preço pago por terceiros, as contraprestações a favor do adjudicatário e as vantagens que a execução lhe dá, como receitas de exploração, também entram.
- Um contrato de 18 000 € por ano, renovável até três anos, vale o total do período máximo que as peças admitem: 54 000 €. É também a regra da Diretiva 2014/24/UE, que manda contar opções e renovações (artigo 5.º, n.º 1, da Diretiva 2014/24/UE).
- O cálculo assenta em critérios económicos objetivos, como os preços habituais no mercado, os preços obtidos na consulta preliminar (artigo 35.º-A) ou os custos médios unitários de procedimentos anteriores para prestações do mesmo tipo (n.º 7).
- Dividir em lotes não baixa o procedimento: conta o valor estimado do conjunto, e partir o objeto para fugir a um procedimento é fracionamento (artigo 17.º-B).
- O valor estimado passa a ser publicado no convite ou no programa, e é ele que determina o órgão competente para autorizar a despesa (n.º 2).
- Nos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026 vale a redação anterior: o «valor do contrato», definido como o valor máximo do benefício económico que o adjudicatário pode obter.
Cuidados
O artigo 17.º é a norma anti-otimismo: quem estima por baixo para caber num limiar está a viciar a escolha do procedimento na origem, e, ao contrário de outros vícios, este lê-se diretamente nos números. Agora que o valor estimado fica escrito no convite ou no programa, está à vista de todos os concorrentes. Estimar bem o valor, com folga documentada e não com esperança, é a proteção mais barata que um procedimento pode ter.
Relacionados
Nesta revisão
O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.
Referido em
Artigo anterior
Artigo 16.º — Procedimentos para a formação de contratos
Artigo seguinte
Artigo 17.º-A — Regras especiais de cálculo do valor estimado do contrato
O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.
Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.