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Parte II · Capítulo II — Escolha do procedimento e valor estimado do contrato

Artigo 20.º — Escolha do procedimento de formação de contratos de locação ou de aquisição de bens móveis e de aquisição de serviços.

Texto da republicação (DL 177/2026)Anotações atualizadas em setembro de 2026

1 - Para a celebração de contratos de locação ou de aquisição de bens móveis e de aquisição de serviços, pode adotar-se um dos seguintes procedimentos:

a) Concurso público ou concurso limitado por prévia qualificação, com publicação de anúncio no Jornal Oficial da União Europeia, qualquer que seja o valor estimado do contrato;

b) Concurso público ou concurso limitado por prévia qualificação, sem publicação de anúncio no Jornal Oficial da União Europeia, quando o valor estimado do contrato seja inferior aos limiares referidos nas alíneas b) ou c) do n.º 3 do artigo 474.º, consoante o caso;

c) Consulta prévia, quando o valor estimado do contrato seja inferior a 130 000 €;

d) Ajuste direto, quando o valor estimado do contrato for inferior a 75 000 €.

2 - [Revogado.]

3 - [Revogado.]

4 - [Revogado.]

Alterado porDL n.º 149/2012, de 12/07 · DL n.º 111-B/2017, de 31/08 · Retificação n.º 36-A/2017, de 30/10 · DL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia

Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.

Anotações Procurai

Por , Head of Public Sector na Closer

Em síntese

O artigo 20.º é o irmão do 19.º para os contratos de locação ou aquisição de bens móveis e aquisição de serviços, e é provavelmente o artigo mais consultado de todo o Código, porque é por aqui que passa a despesa corrente das entidades adjudicantes. Quando a escolha do procedimento assenta no valor estimado do contrato:

Valor estimado do contratoProcedimento mínimo
inferior a 75 000 €ajuste direto
inferior a 130 000 €consulta prévia, com convite a pelo menos três entidades
inferior ao limiar europeuconcurso público ou concurso limitado, sem anúncio no JOUE
qualquer valorconcurso público ou concurso limitado, com anúncio no JOUE

É a tabela dos procedimentos iniciados desde 1 de outubro de 2026. Nos iniciados até 30 de setembro, os dois primeiros degraus eram 20 000 € e 75 000 €, medidos pelo «valor do contrato», e continuam a valer para esses procedimentos até ao fim.

O limiar europeu depende de quem contrata (artigo 474.º): 140 000 € para o Estado, 216 000 € para as restantes entidades adjudicantes, no biénio 2026-2027. Com a consulta prévia a 130 000 €, o Estado tem agora uma faixa estreita, entre 130 000 € e 140 000 €, em que o concurso é obrigatório mas sem anúncio no JOUE.

Na prática

  • O regime simplificado do ajuste direto (artigo 128.º) cobre as aquisições até 5 000 €: é a via da pequena despesa corrente, com adjudicação sobre a fatura. Não mudou com a revisão.
  • O valor estimado tem de constar do convite ou do programa (artigo 17.º, n.º 2) e ser calculado por critérios económicos objetivos: preços habituais de mercado, consulta preliminar, custos médios de procedimentos anteriores (n.º 7).
  • Nos serviços de uso corrente ou prorrogáveis, o valor estimado soma os contratos do mesmo tipo de 12 meses (artigo 17.º-B, n.º 5). Uma avença de 3 500 € por mês vale 42 000 € por ano: ajuste direto. Com renovação prevista por mais um ano, a leitura prudente conta a duração total, 84 000 €, e leva a consulta prévia: o preço base, quando fixado, inclui as prorrogações (artigo 47.º, n.º 1).
  • Serviços sociais e outros serviços específicos do anexo IX têm regras próprias (artigo 6.º-A e artigos 250.º-A e seguintes), com limiar europeu de 750 000 €. Confirmar o enquadramento antes de aplicar a tabela.
  • O preço base passou a facultativo (artigo 47.º). Fixado, exclui as propostas acima dele (artigo 70.º, n.º 3, alínea d)); não fixado, não há exclusão por preço. Numa consulta prévia, fixar preço base continua a ser a regra prudente.
  • Nas seis áreas do artigo 127.º-B, como a transformação digital, a consulta prévia especial, com cinco convites, vai até ao limiar europeu: 216 000 € na generalidade das entidades, 140 000 € no Estado (artigos 127.º-A a 127.º-C).
  • Nada impede uma entidade de ir a concurso público para uma aquisição de 50 000 €. A tabela fixa mínimos.

Exemplos

Manutenção anual de elevadores, 30 000 € por ano, contrato de três anos. O valor estimado é 90 000 €: consulta prévia. Fazer três ajustes diretos anuais de 30 000 € ao mesmo prestador é fracionamento (artigo 17.º-B) e, somado ao longo dos três anos económicos, esbarra no acumulado do artigo 113.º.

Aquisição de 60 computadores, 900 € cada. 54 000 €: ajuste direto desde 1 de outubro; até 30 de setembro, era consulta prévia. Se a entidade tem um acordo-quadro em vigor para equipamento informático, o caminho é o do acordo-quadro (artigos 257.º e seguintes), não a tabela do artigo 20.º.

Serviços de consultoria jurídica pontual, 4 800 €. Ajuste direto simplificado, sobre fatura, com a ficha no portal BASE. Continua a ser um ajuste direto pelo valor e conta para o acumulado do artigo 113.º.

Formação profissional para trabalhadores, 60 000 €. Serviço do anexo IX: o regime aplicável é o dos serviços sociais e outros serviços específicos, com limiar próprio, e não a tabela geral. Verificar o CPV antes de escolher.

Erros que aparecem em auditoria

  • Estimar o valor sem as renovações, e descobrir no segundo ano que o contrato «de 70 000 €» já vale 140 000 €.
  • Ajustes diretos sucessivos ao mesmo fornecedor para o mesmo tipo de serviço, cada um abaixo de 75 000 €: o portal BASE torna o padrão visível a qualquer auditor em minutos.
  • Convidar para consulta prévia três entidades do mesmo grupo, ou com membros de administração comuns, o que viola o artigo 114.º, n.º 2.
  • Contratar por 75 000 € exatos por ajuste direto: o limiar é «inferior a», e 75 000 € já é consulta prévia.
  • Aplicar os novos limiares a um procedimento iniciado até 30 de setembro de 2026.

Cuidados

O 20.º lê-se sempre em conjunto com o artigo 113.º: mesmo dentro dos limiares, a entidade que se pretende convidar pode estar bloqueada pelo acumulado de adjudicações no ano económico em curso e nos dois anteriores, independentemente do objeto dos contratos. O limiar autoriza o procedimento; não escolhe o convidado. Desde 1 de outubro de 2026 esse acumulado mede-se pelos novos limites, 75 000 € e 130 000 €, e conta também os contratos anteriores à revisão (artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 177/2026).

Perguntas frequentes sobre o artigo 20.º

Qual é o limite do ajuste direto para bens e serviços?

Valor estimado do contrato inferior a 75 000 € (alínea d) do n.º 1 do artigo 20.º), nos procedimentos iniciados desde 1 de outubro de 2026. Nos iniciados até 30 de setembro, o limite era 20 000 €. Acima do limiar, só com critério material dos artigos 24.º, 26.º ou 27.º.

Base legalArtigo 20.º do CCP · texto oficial

Um contrato de 75 000 € pode ser feito por ajuste direto?

Não. O limiar é «inferior a 75 000 €»: um contrato de valor estimado de exatamente 75 000 € já exige consulta prévia. O mesmo vale para os 130 000 € da consulta prévia.

Base legalArtigo 20.º do CCP · texto oficial

As renovações contam para o valor estimado?

Nos contratos de uso corrente ou que se destinem a ser prorrogados, o valor estimado calcula-se pelo somatório dos contratos do mesmo tipo dos 12 meses anteriores, ou dos que se preveja celebrar nos 12 meses seguintes (artigo 17.º-B, n.º 5). E o preço base, quando fixado, inclui as prorrogações (artigo 47.º, n.º 1). Na dúvida, contar a duração total prevista.

Base legalArtigos 17.º e 17.º-B do CCP · texto oficial

O limiar europeu é o mesmo para todas as entidades?

Não. Para bens e serviços, o Estado tem um limiar mais baixo (140 000 € em 2026-2027) do que as restantes entidades adjudicantes (216 000 €). Acima dele o anúncio vai obrigatoriamente ao Jornal Oficial da União Europeia.

Base legalArtigo 474.º do CCP · texto oficial

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O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.

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