Parte II · Capítulo II — Escolha do procedimento e valor estimado do contrato
Artigo 19.º — Escolha do procedimento de formação de contratos de empreitada de obras públicas.
Para a celebração de contratos de empreitadas de obras públicas pode adotar-se um dos seguintes procedimentos:
a) Concurso público ou concurso limitado por prévia qualificação, com publicação de anúncio no Jornal Oficial da União Europeia, qualquer que seja o valor estimado do contrato;
b) Concurso público ou concurso limitado por prévia qualificação, sem publicação de anúncio no Jornal Oficial da União Europeia, quando o valor estimado do contrato seja inferior ao limiar referido na alínea a) do n.º 3 do artigo 474.º;
c) Consulta prévia, quando o valor estimado do contrato for inferior a 1 000 000 €;
d) Ajuste direto, quando o valor estimado do contrato for inferior a 150 000 €.
Alterado porDL n.º 149/2012, de 12/07 · DL n.º 111-B/2017, de 31/08 · DL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia
Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
Para a celebração de contratos de empreitadas de obras públicas pode adotar-se um dos seguintes procedimentos:
a) Concurso público ou concurso limitado por prévia qualificação, com publicação de anúncio no Jornal Oficial da União Europeia, qualquer que seja o valor do contrato;
b) Concurso público ou concurso limitado por prévia qualificação, sem publicação de anúncio no Jornal Oficial da União Europeia, quando o valor do contrato seja inferior ao limiar referido na alínea a) do n.º 3 do artigo 474.º;
c) Consulta prévia, com convite a pelo menos três entidades, quando o valor do contrato for inferior a € 150 000;
d) Ajuste direto, quando o valor do contrato for inferior a € 30 000.
Alterado porDL n.º 149/2012, de 12/07 · DL n.º 111-B/2017, de 31/08 — ver a cronologia
Texto da versão consolidada anterior do Decreto-Lei n.º 18/2008, aplicável aos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
Anotações Procurai
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Em síntese
O artigo 19.º é a tabela de entrada das empreitadas de obras públicas: diz que procedimento se pode escolher quando a escolha assenta apenas no valor estimado do contrato. São quatro degraus, e três valores a fixar de cor:
| Valor estimado do contrato | Procedimento mínimo |
|---|---|
| inferior a 150 000 € | ajuste direto |
| inferior a 1 000 000 € | consulta prévia, com convite a pelo menos três entidades |
| inferior ao limiar europeu | concurso público ou concurso limitado, sem anúncio no JOUE |
| qualquer valor | concurso público ou concurso limitado, com anúncio no JOUE |
É a tabela dos procedimentos iniciados desde 1 de outubro de 2026. Nos iniciados até 30 de setembro, os dois primeiros degraus eram 30 000 € e 150 000 €, medidos pelo «valor do contrato», e continuam a valer para esses procedimentos até ao fim.
O limiar europeu das empreitadas está no artigo 474.º e vale 5 404 000 € no biénio 2026-2027. Tudo o que está acima de um degrau pode sempre ser feito pelo degrau seguinte: uma empreitada de 120 000 € pode ir a consulta prévia ou a concurso, se a entidade quiser mais concorrência. O que o artigo proíbe é o inverso.
Na prática
- O valor relevante é o valor estimado do contrato do artigo 17.º: o preço estimado a pagar pela obra, com as contraprestações e vantagens diretas do empreiteiro e os bens e serviços postos à sua disposição (artigo 17.º-A, n.º 1). Não é o orçamento da primeira fase nem o cabimento disponível este ano. Tem de ser calculado por critérios económicos objetivos (n.º 7) e indicado no convite ou no programa (n.º 2).
- Nas seis áreas do artigo 127.º-B, como os fundos europeus ou a habitação pública, a consulta prévia especial, com cinco convites, vai até 2 000 000 € (artigos 127.º-A a 127.º-C).
- O regime simplificado do artigo 128.º cobre as empreitadas até 10 000 €: adjudicação sobre fatura, sem convite nem caderno de encargos. Não mudou com a revisão.
- O artigo 19.º só resolve a escolha pelo valor. Acima dos limiares, o ajuste direto continua possível pelos critérios materiais dos artigos 24.º e 25.º, que não têm teto: urgência imperiosa, concurso anterior deserto, prestações que só um empreiteiro pode executar.
- O preço base passou a facultativo (artigo 47.º). Quando é fixado, a proposta acima dele é excluída (artigo 70.º, n.º 3, alínea d)); quando não é, não há exclusão por preço, e o único remédio é não adjudicar por preços inaceitáveis (artigo 79.º, n.º 1, alínea e)). Numa empreitada, fixar preço base continua a ser a regra prudente.
- A escolha do procedimento tem de ser fundamentada e cabe ao órgão competente para a decisão de contratar (artigos 36.º e 38.º) e reaparece no convite ou no programa, que têm de indicar o fundamento da escolha.
Exemplos
Reabilitação de uma escola primária, estimada em 140 000 €. Desde 1 de outubro, cabe no ajuste direto; até 30 de setembro, era consulta prévia. Convidar três empreiteiros continua a ser possível e, numa obra desta dimensão, muitas vezes aconselhável.
Pavimentação de duas ruas, 90 000 € cada. Se as duas ruas integram a mesma necessidade e têm função unitária económica e técnica, o valor estimado a considerar é 180 000 € (artigo 17.º-B, n.ºs 3 e 6): consulta prévia. Dividir em dois ajustes diretos de 90 000 € é fracionamento, proibido pelo artigo 17.º-B, n.º 1, e é o padrão que as auditorias detetam primeiro no portal BASE.
Substituição urgente de uma cobertura depois de um temporal. Não é o artigo 19.º que resolve: é a alínea c) do n.º 1 do artigo 24.º, urgência imperiosa resultante de acontecimento imprevisível, e só na medida do estritamente necessário para a intervenção urgente. A reparação definitiva, planeável, volta à tabela do valor. Se houver declaração de calamidade, o artigo 129.º-A admite ainda o ajuste direto simplificado até 500 000 €.
Erros que aparecem em auditoria
- Somar mal o valor estimado: esquecer os bens e serviços postos à disposição do empreiteiro, os trabalhos a preços unitários «se necessários» ou a parte da obra que se sabe que vai ser adjudicada a seguir.
- Estimar o valor a 149 999 € para caber no ajuste direto, com estimativa de mercado que apontava para mais. O artigo 17.º-B, n.º 1, proíbe calcular o valor estimado com o intuito de fugir às exigências do Código.
- Convidar por ajuste direto quem já esgotou o acumulado do artigo 113.º, n.º 2, nos três anos económicos.
- Deixar a escolha do procedimento sem fundamentação escrita na decisão de contratar, quando o valor está perto do limiar.
Cuidados
Este é o artigo que mais mudou com a revisão de 2026: desde 1 de outubro os degraus são 150 000 € e 1 000 000 €, medidos pelo valor estimado do contrato. Os procedimentos iniciados até 30 de setembro seguem a tabela anterior, de 30 000 € e 150 000 €, até ao fim. Os novos limites entram também no acumulado do artigo 113.º, n.º 2, que conta o ano em curso e os dois anteriores, contratos anteriores à revisão incluídos (artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 177/2026).
Perguntas frequentes sobre o artigo 19.º
Até que valor uma empreitada pode ir a ajuste direto?
Pelo critério do valor, até um valor estimado do contrato inferior a 150 000 € (alínea d) do artigo 19.º), nos procedimentos iniciados desde 1 de outubro de 2026. Nos iniciados até 30 de setembro, o limite era 30 000 €. Acima do limiar, o ajuste direto só com um critério material dos artigos 24.º ou 25.º, sem limite de valor mas com fundamentação exigente.
Base legalArtigo 19.º do CCP · Artigos 24.º e 25.º do CCP · texto oficial
A consulta prévia nas empreitadas exige quantos convites?
Pelo menos três entidades, que não podem ser especialmente relacionadas entre si (artigo 114.º), para contratos de valor estimado inferior a 1 000 000 €. Três convites, não três propostas: se só um convidado responder, o procedimento prossegue.
Base legalArtigo 19.º do CCP · Artigo 114.º do CCP · texto oficial
Posso fazer concurso público numa empreitada de 100 000 €?
Sim. Os degraus do artigo 19.º são mínimos: qualquer contrato pode ser formado por um procedimento mais concorrencial do que o exigido. O que não pode é o contrário.
Base legalArtigo 19.º do CCP · texto oficial
O que conta para o valor estimado de uma empreitada?
O preço estimado a pagar pela entidade adjudicante e por terceiros, mais as contraprestações e vantagens diretas do empreiteiro (artigo 17.º, n.º 1), e ainda o valor dos bens e serviços que o dono da obra põe à disposição, quando necessários à execução (artigo 17.º-A, n.º 1). Não conta o orçamento anual disponível. O valor estimado tem de constar do convite ou do programa (artigo 17.º, n.º 2).
Base legalArtigos 17.º e 17.º-A do CCP · texto oficial
Relacionados
Nesta revisão
O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.
Referido em
Artigo anterior
Artigo 18.º — Escolha do procedimento
Artigo seguinte
Artigo 20.º — Escolha do procedimento de formação de contratos de locação ou de aquisição de bens móveis e de aquisição de serviços
O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.
Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.