Parte III · Capítulo V — Modificações objetivas do contrato
Artigo 313.º — Limites.
1 - A modificação não pode alterar a natureza global do contrato, considerando as prestações principais que constituem o seu objeto, nem pode configurar uma forma de impedir, restringir ou falsear a concorrência.
2 - [Revogado.]
3 - [Revogado.]
4 - Em caso de modificações sucessivas, o valor a considerar para efeitos do n.º 1 do artigo 312.º é, no caso da alínea c), o do acumulado das modificações e, no caso da alínea d), o de cada modificação.
5 - [Revogado.]
6 - As modificações que não respeitem os limites estabelecidos no presente Código determinam a adoção de um novo procedimento de formação de contrato, caso a entidade adjudicante mantenha a decisão de contratar.
Alterado porDL n.º 111-B/2017, de 31/08 · Retificação n.º 36-A/2017, de 30/10 · Lei n.º 30/2021, de 21/05 · DL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia
Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
1 - A modificação não pode nunca traduzir-se na alteração da natureza global do contrato, considerando as prestações principais que constituem o seu objeto.
2 - A modificação fundada em razões de interesse público não pode ter lugar quando implicar uma modificação substancial do contrato ou configurar uma forma de impedir, restringir ou falsear a concorrência, designadamente por:
a) Introduzir alterações que, se inicialmente previstas no caderno de encargos, teriam ocasionado no procedimento pré-contratual, de forma objetivamente demonstrável, a alteração da qualificação dos candidatos, a alteração da ordenação das propostas avaliadas, a não exclusão ou a apresentação de outras candidaturas ou propostas;
b) Alterar o equilíbrio económico do contrato a favor do cocontratante de modo a que este seja colocado numa situação mais favorável do que a resultante do equilíbrio inicialmente estabelecido;
c) Alargar consideravelmente o âmbito do contrato.
3 - Os limites previstos no número anterior não se aplicam a:
a) Modificações de valor inferior aos limiares referidos nos n.os 2, 3 ou 4 do artigo 474.º, consoante o caso, e inferior a 10 % ou, em contratos de empreitada de obras públicas, a 15 % do preço contratual inicial;
b) Modificações que decorram de circunstâncias que uma entidade adjudicante diligente não pudesse ter previsto, desde que a natureza duradoura do vínculo contratual e o decurso do tempo as justifique, e desde que o seu valor não ultrapasse 50 % do preço contratual inicial.
4 - Em caso de modificações sucessivas, o valor a considerar para efeitos do número anterior é, no caso da alínea a), o do acumulado das modificações e, no caso da alínea b), o de cada modificação.
5 - O disposto no presente artigo não prejudica, em relação às modificações que tenham por objeto a realização de prestações complementares, o regime especial do artigo 370.º
6 - As modificações que não respeitem os limites estabelecidos no presente Código determinam a adoção de um novo procedimento de formação de contrato, caso a entidade adjudicante mantenha a decisão de contratar.
Alterado porDL n.º 111-B/2017, de 31/08 · Retificação n.º 36-A/2017, de 30/10 · Lei n.º 30/2021, de 21/05 — ver a cronologia
Texto da versão consolidada anterior do Decreto-Lei n.º 18/2008, aplicável aos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
Anotações Procurai
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Em síntese
Desde 1 de outubro de 2026, o artigo 313.º guarda apenas os limites qualitativos da modificação. O n.º 1 tem dois: a modificação não pode alterar a natureza global do contrato, considerando as prestações principais que constituem o seu objeto, nem configurar uma forma de impedir, restringir ou falsear a concorrência. O n.º 4 diz como se somam as modificações sucessivas para os tetos do artigo 312.º. O n.º 6 fecha o círculo: modificação fora dos limites do Código obriga a novo procedimento, se a entidade mantiver a decisão de contratar.
As percentagens (10 %, 15 %, 50 %) e a definição de modificação substancial, que antes estavam aqui, passaram para o artigo 312.º, organizadas em cinco permissões à maneira do artigo 72.º da Diretiva 2014/24/UE. Os n.ºs 2, 3 e 5 foram revogados.
Na prática
- Ao contrário da generalidade da revisão, este regime aplica-se de imediato aos contratos em execução (artigo 10.º, n.º 2, do Decreto-Lei n.º 177/2026): uma modificação decidida desde 1 de outubro segue os artigos 312.º e 313.º novos, mesmo num contrato celebrado anos antes.
- A natureza global é o limite que nenhuma percentagem levanta: transformar um contrato de fornecimento num contrato de serviços, ou uma reabilitação numa construção nova, não é modificação.
- O limite da concorrência é uma cláusula anti-elisão: uma modificação que cabe numa percentagem mas serve para evitar um procedimento que a entidade já sabia necessário continua proibida.
- Nas prestações complementares (alínea c) do artigo 312.º), os 50 % contam acumulados; nas circunstâncias imprevisíveis (alínea d)), contam por modificação. O regime especial do artigo 370.º, que acumulava os trabalhos complementares das empreitadas, foi revogado nessa parte.
- O n.º 4 não diz como se contam os 10 % e 15 % da alínea a). Até haver leitura assente, somar as modificações sucessivas é a opção defensável perante uma auditoria.
Exemplos
Contrato de serviços de limpeza, 400 000 € por três anos, a que se acrescenta um edifício novo por 30 000 €. A modificação fica abaixo do limiar europeu e representa 7,5 % do preço inicial: cabe na alínea a) do n.º 1 do artigo 312.º. Se seis meses depois se acrescentar outro edifício por 20 000 €, somados dão 12,5 %: a segunda modificação já precisa de outra permissão, ou de demonstrar que não é substancial.
Empreitada de 3 000 000 € em que se descobre contaminação do solo não detetável nos estudos prévios, com custo adicional de 900 000 €. 30 %: cabe na alínea d) do artigo 312.º, se a imprevisibilidade se demonstrar com os estudos que foram feitos e o que uma entidade diligente faria. Uma segunda circunstância imprevisível conta por si.
Contrato de software adjudicado por 200 000 € a que se pretende acrescentar um módulo por 250 000 €. Acima de qualquer teto e alargamento considerável do âmbito (artigo 312.º, n.º 3, alínea c)): novo procedimento, nos termos do n.º 6.
Erros que aparecem em auditoria
- Continuar a aplicar os n.ºs 2 e 3 revogados a modificações decididas desde 1 de outubro de 2026, por o contrato ser anterior.
- Somar mal as modificações sucessivas, ou tratar cada uma como se recomeçasse a contagem.
- Invocar circunstâncias imprevisíveis que um estudo prévio normal teria detetado.
- Modificações que mudam a natureza do contrato, disfarçadas de «ajustamentos».
- Ignorar o n.º 6 e continuar a executar um contrato que já devia ter sido novo procedimento.
Cuidados
A pergunta certa antes de qualquer modificação continua a ser «se isto estivesse nas peças, teria mudado quem concorreu ou quem ganhou?». Se a resposta é sim, é uma modificação substancial: pode caber nas alíneas a) a d) do artigo 312.º, com os seus tetos e requisitos, mas nunca na alínea e). Para as modificações decididas até 30 de setembro de 2026 valem os n.ºs 2, 3 e 5 na redação anterior, que se mostram mais abaixo.
Perguntas frequentes sobre o artigo 313.º
Qual é o limite de valor para modificar um contrato sem novo procedimento?
Os limites de valor estão agora no artigo 312.º, n.º 1: abaixo dos limiares europeus e de 10 % do preço contratual inicial (15 % nas empreitadas); até 50 % para trabalhos, serviços ou bens complementares quando mudar de cocontratante não é viável; até 50 % por circunstâncias que uma entidade diligente não podia prever. Qualquer modificação não substancial é admitida independentemente do valor. O artigo 313.º acrescenta os limites qualitativos.
Base legalArtigo 312.º, n.º 1, do CCP · Artigo 313.º do CCP · texto oficial
O que é uma modificação substancial?
A definição passou para o artigo 312.º, n.º 3: a que torna o contrato materialmente diferente do inicial e, em qualquer caso, a que teria mudado a qualificação, a ordenação ou o universo de concorrentes se estivesse nas peças, a que altera o equilíbrio económico a favor do cocontratante e a que alarga consideravelmente o âmbito do contrato.
Base legalArtigo 312.º, n.º 3, do CCP · texto oficial
As percentagens contam por modificação ou acumuladas?
O n.º 4 manda acumular as modificações sucessivas no caso das prestações complementares (alínea c) do n.º 1 do artigo 312.º) e contar cada uma isoladamente no caso das circunstâncias imprevisíveis (alínea d)). Nada diz sobre os 10 % e 15 % da alínea a); a leitura prudente continua a somá-los.
Base legalArtigo 313.º, n.º 4, do CCP · texto oficial
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Nesta revisão
O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.
Remissões no Código
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Referido em
O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.
Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.