Parte II · Capítulo III — Peças do procedimento
Artigo 46.º-A — Adjudicação por lotes.
1 - As entidades adjudicantes podem prever, nas peças do procedimento, a adjudicação por lotes.
2 - Na formação de contratos públicos de aquisição ou locação de bens, ou aquisição de serviços, de valor estimado superior a 250 000 €, e empreitadas de obras públicas de valor estimado superior a 500 000 €, a decisão de não adjudicação por lotes deve ser fundamentada na decisão de contratar, constituindo fundamento, designadamente, as seguintes situações:
a) Quando as prestações a abranger pelo respetivo objeto forem técnica ou funcionalmente incindíveis ou, não o sendo, a sua separação causar graves inconvenientes para a entidade adjudicante;
b) Quando, por motivos de urgência ou por imperativos técnicos ou funcionais, a gestão de um único contrato se revele mais eficiente para a entidade adjudicante.
3 - O disposto no número anterior não se aplica às entidades adjudicantes referidas nos artigos 7.º e 12.º
4 - A entidade adjudicante pode limitar o número máximo de lotes que podem ser adjudicados a cada concorrente, devendo indicar essas limitações no convite ou no programa do procedimento, bem como os critérios objetivos e não discriminatórios em que se baseie a escolha dos lotes a adjudicar a cada concorrente nos casos em que a aplicação dos critérios de adjudicação resulte na atribuição, ao mesmo concorrente, de um número de lotes superior ao máximo fixado.
5 - O disposto nos números anteriores não prejudica a possibilidade de a entidade adjudicante celebrar contratos que combinem vários ou a totalidade dos lotes, desde que essa possibilidade seja expressamente incluída no convite ou no programa do procedimento, caso em que devem ser previamente estabelecidos e indicados os critérios que fundamentam as várias hipóteses de combinação previstas.
Alterado porDL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia
Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
1 - As entidades adjudicantes podem prever, nas peças do procedimento, a adjudicação por lotes.
2 - Na formação de contratos públicos de aquisição ou locação de bens, ou aquisição de serviços, de valor superior a € 135 000, e empreitadas de obras públicas de valor superior a € 500 000, a decisão de não contratação por lotes deve ser fundamentada, constituindo fundamento, designadamente, as seguintes situações:
a) Quando as prestações a abranger pelo respetivo objeto forem técnica ou funcionalmente incindíveis ou, não o sendo, a sua separação causar graves inconvenientes para a entidade adjudicante;
b) Quando, por motivos de urgência ou por imperativos técnicos ou funcionais, a gestão de um único contrato se revele mais eficiente para a entidade adjudicante.
3 - O disposto no número anterior não se aplica às entidades adjudicantes referidas nos artigos 7.º e 12.º
4 - A entidade adjudicante pode limitar o número máximo de lotes que podem ser adjudicados a cada concorrente, devendo indicar essas limitações no convite ou no programa do procedimento, bem como os critérios objetivos e não discriminatórios em que se baseie a escolha dos lotes a adjudicar a cada concorrente nos casos em que a aplicação dos critérios de adjudicação resulte na atribuição, ao mesmo concorrente, de um número de lotes superior ao máximo fixado.
5 - O disposto nos números anteriores não prejudica a possibilidade de a entidade adjudicante celebrar contratos que combinem vários ou a totalidade dos lotes, desde que essa possibilidade seja expressamente incluída no convite ou no programa do procedimento, caso em que devem ser previamente estabelecidos e indicados os critérios que fundamentam as várias hipóteses de combinação previstas.
Texto da versão consolidada anterior do Decreto-Lei n.º 18/2008, aplicável aos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
Anotações Procurai
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Em síntese
A adjudicação por lotes é uma faculdade (n.º 1) que se transforma em ónus de fundamentação acima de certos valores: nos bens e serviços de valor estimado superior a 250 000 € e nas empreitadas de valor estimado superior a 500 000 €, é a decisão de não adjudicar por lotes que tem de ser fundamentada, e na própria decisão de contratar (n.º 2). É a tradução portuguesa do princípio europeu do dividir ou explicar (artigo 46.º da Diretiva 2014/24/UE).
Na prática
- Os fundamentos típicos (n.º 2). Prestações técnica ou funcionalmente incindíveis, ou cuja separação cause graves inconvenientes; e urgência ou imperativos técnicos ou funcionais que tornem mais eficiente gerir um contrato único.
- Os valores mudaram. Até 30 de setembro de 2026, o limite nos bens e serviços era de 135 000 €, medido pelo valor do contrato, e a fundamentação não tinha lugar fixo. Desde 1 de outubro, é de 250 000 € de valor estimado, e a fundamentação vai na decisão de contratar.
- Setores especiais. A regra não se aplica às entidades adjudicantes dos artigos 7.º e 12.º (n.º 3).
- Flexibilização do concurso público. Quem adote esse regime pode dispensar a fundamentação da não adjudicação por lotes (artigo 161.º-B, n.º 1, alínea a)).
- Limites por concorrente (n.º 4). A entidade pode limitar o número de lotes que cada concorrente pode ganhar, indicando-o no convite ou no programa, com critérios objetivos e não discriminatórios para escolher os lotes quando o limite seja ultrapassado.
- Combinação de lotes (n.º 5). Pode celebrar contratos que juntem vários ou todos os lotes, se o convite ou o programa o previr e fixar os critérios de cada combinação.
Cuidados
A fundamentação da não divisão não se satisfaz com uma frase de estilo: «por razões de eficiência» não é fundamento, é conclusão. E lotear não baixa o procedimento aplicável: conta o valor estimado de todos os lotes em conjunto, e os lotes lançados em procedimentos separados somam-se pelo artigo 17.º-B, com a dispensa dos lotes pequenos do n.º 4. Dividir para escapar ao concurso é fracionamento; dividir para abrir o mercado às pequenas e médias empresas é o que a norma quer.
Relacionados
Nesta revisão
O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.
Referido em
Artigo anterior
Artigo 46.º — Formulários de caderno de encargos
Artigo seguinte
Artigo 47.º — Preço base
O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.
Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.