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Parte II · Capítulo I — Preparação do procedimento

Artigo 35.º-C — Período de teste de sistemas e tecnologias de informação.

Texto da republicação (DL 177/2026)Anotações atualizadas em setembro de 2026

1 - Para efeitos de preparação de procedimento de formação de contrato público que tenha por objeto a aquisição ou subscrição de sistemas e tecnologias de informação, a entidade adjudicante pode promover ou aceitar a disponibilização gratuita e temporária desses sistemas para fins de avaliação técnica, funcional, de interoperabilidade, de segurança e de adequação às necessidades públicas subjacentes.

2 - O período de teste deve ser publicitado no portal dos contratos públicos, mediante formulário eletrónico no qual se identifique:

a) O objeto e os objetivos do teste;

b) As entidades disponibilizadoras dos sistemas para teste;

c) A duração do período de teste, que não pode exceder 30 dias, salvo prorrogação devidamente fundamentada, por uma única vez, até ao limite de 90 dias;

d) A descrição do ambiente de teste e das condições de utilização, incluindo requisitos de segurança e continuidade;

e) As regras de proteção de dados pessoais, confidencialidade e sigilo, bem como as responsabilidades das partes;

f) As condições de reversibilidade, portabilidade e eliminação de dados;

g) A indicação expressa de que não existe obrigação de contratar, nem qualquer direito de preferência, exclusividade ou limitação à concorrência.

3 - A disponibilização gratuita prevista no presente artigo não é considerada atribuição a título gratuito para os efeitos previstos no n.º 5 do artigo 113.º, nem pode envolver contrapartidas diretas ou indiretas a favor das entidades disponibilizadoras, designadamente pagamentos, cessão de direitos, autorização de utilização de dados para fins próprios, incluindo treino, validação ou melhoria de modelos, publicidade, ou quaisquer outras vantagens suscetíveis de distorcer a concorrência.

4 - Sempre que o teste seja realizado com um único operador económico, a entidade adjudicante deve fundamentar a impossibilidade ou desadequação de realização do teste com pluralidade de soluções e adotar medidas reforçadas de prevenção de distorções da concorrência, incluindo a documentação integral do processo e a divulgação, no procedimento subsequente, das informações relevantes obtidas com o teste que sejam necessárias para assegurar igualdade de oportunidades.

5 - Decorrido o período de teste, se a entidade adjudicante pretender contratar a solução, deve promover o procedimento pré-contratual legalmente aplicável, não podendo a realização do teste, por si só, constituir fundamento para a adoção de procedimento menos concorrencial.

6 - É aplicável o disposto nos n.os 2, 3 e 4 do artigo 35.º-A.

Alterado porDL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia

Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.

Anotações Procurai

Por , Head of Public Sector na Closer

Em síntese

O artigo 35.º-C permite que, ao preparar a aquisição ou subscrição de sistemas e tecnologias de informação, a entidade adjudicante promova ou aceite a disponibilização gratuita e temporária desses sistemas, para os avaliar do ponto de vista técnico, funcional, de interoperabilidade, de segurança e de adequação às necessidades (n.º 1). O teste é publicitado no portal dos contratos públicos, dura até 30 dias, prorrogáveis uma vez até 90 (n.º 2), não pode ter contrapartidas para quem disponibiliza o sistema (n.º 3) e não dá direito a contrato nem a preferência (n.º 2, alínea g), e n.º 5).

Na prática

  • O formulário de publicitação (n.º 2) identifica o objeto e os objetivos do teste; quem disponibiliza os sistemas; a duração; o ambiente de teste e as condições de utilização, com requisitos de segurança e continuidade; as regras de proteção de dados, confidencialidade e sigilo e as responsabilidades das partes; a reversibilidade, a portabilidade e a eliminação de dados; e a indicação expressa de que não há obrigação de contratar, nem preferência, exclusividade ou limitação à concorrência.
  • Sem contrapartidas (n.º 3). Nada de pagamentos, cessão de direitos, publicidade, autorização de uso de dados para fins próprios, incluindo treino, validação ou melhoria de modelos, ou outras vantagens suscetíveis de distorcer a concorrência.
  • O artigo 113.º, n.º 5, não se aplica. A disponibilização gratuita no teste não conta como prestação a título gratuito para o impedimento de convite do artigo 113.º, n.º 5 (n.º 3).
  • Um só operador (n.º 4). Testar uma única solução obriga a fundamentar por que não foi possível ou adequado testar várias, a documentar todo o processo e a divulgar, no procedimento seguinte, a informação obtida que seja necessária à igualdade de oportunidades.
  • Depois do teste (n.º 5). Se quiser contratar, a entidade abre o procedimento legalmente aplicável. O teste não fundamenta, por si, um procedimento menos concorrencial.
  • Neutralizar a vantagem (n.º 6). Aplicam-se os n.ºs 2 a 4 do artigo 35.º-A: o teste não pode distorcer a concorrência, e quem participou fica sujeito às medidas de igualdade, como a comunicação da informação pertinente a todos e prazos adequados.

Exemplos

Uma câmara quer substituir a plataforma de atendimento ao munícipe e aceita testar, durante 30 dias, as soluções de três fornecedores. Publicita o teste no portal, com o objeto, os três fornecedores, o ambiente e as regras de dados; no fim, elimina os dados e lança o procedimento que o valor estimado impõe, partilhando com todos os concorrentes a informação relevante que o teste produziu.

Só um fornecedor se disponibiliza para testar uma ferramenta de apoio à leitura de imagem médica. O hospital pode avançar, mas tem de fundamentar por que não foi possível testar outras soluções e documentar tudo, para que o procedimento seguinte não fique inclinado a favor de quem testou.

No fim do teste, o fornecedor propõe continuar a usar os dados, anonimizados, para melhorar o produto. Não deve ser aceite: o n.º 3 proíbe a autorização de uso de dados para fins próprios, incluindo a melhoria de modelos, e não distingue dados anonimizados.

Erros a evitar

  • Aceitar um teste sem o publicitar no portal, ou publicitá-lo sem algum dos elementos do n.º 2.
  • Prolongar o teste para lá dos 30 dias sem prorrogação fundamentada, ou para lá dos 90.
  • Aceitar contrapartidas, incluindo publicidade ou uso de dados para treino de modelos.
  • Contratar a solução testada por ajuste direto com o teste como fundamento.
  • Testar com um único operador sem fundamentar a escolha e sem documentar o processo.

Cuidados

A figura é nova e o artigo deixa pontos em aberto: não diz em que momento o teste tem de ser publicitado, nem como se escolhem os operadores quando há mais interessados do que capacidade para testar. O n.º 3 resolve o problema do artigo 113.º, n.º 5: sem essa ressalva, quem disponibilizasse o sistema de graça ficava impedido de ser convidado para consulta prévia ou ajuste direto durante três anos económicos. Nos testes com dados reais, a proteção de dados exige a mesma disciplina de um contrato, e o formulário tem de o refletir.

Perguntas frequentes sobre o artigo 35.º-C

Quem disponibiliza um sistema para teste fica impedido de ser convidado?

Não. O n.º 3 diz expressamente que a disponibilização gratuita no período de teste não conta como prestação a título gratuito para o artigo 113.º, n.º 5, que impede convidar para consulta prévia ou ajuste direto quem trabalhou de graça para a entidade. Mas o teste não pode ter contrapartidas, e o procedimento que se segue tem de ser o legalmente aplicável.

Base legalArtigo 35.º-C, n.ºs 3 e 5, do CCP · Artigo 113.º, n.º 5, do CCP · texto oficial

Quanto tempo pode durar o teste?

Até 30 dias. Pode ser prorrogado uma única vez, com fundamentação, até ao limite de 90 dias.

Base legalArtigo 35.º-C, n.º 2, alínea c), do CCP · texto oficial

O fornecedor pode usar os dados do teste para treinar os seus modelos?

Não. O teste não pode envolver contrapartidas diretas ou indiretas, e o n.º 3 inclui expressamente a autorização de utilização de dados para fins próprios, como o treino, a validação ou a melhoria de modelos.

Base legalArtigo 35.º-C, n.º 3, do CCP · texto oficial

Depois de testar, posso contratar a solução por ajuste direto?

Só se houver fundamento para isso nas regras gerais, pelo valor ou por um critério material. O teste, por si só, não justifica um procedimento menos concorrencial.

Base legalArtigo 35.º-C, n.º 5, do CCP · texto oficial

Nesta revisão

O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.

Remissões no Código

Este artigo remete para

O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.

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