Parte II · Capítulo I — Preparação do procedimento
Artigo 35.º-A — Consulta preliminar ao mercado e participação de candidatos ou concorrentes.
1 - Antes da abertura de um procedimento de formação de contrato público, a entidade adjudicante pode realizar consultas informais ao mercado, designadamente através da solicitação de informações ou pareceres de peritos, autoridades independentes ou agentes económicos, que possam ser utilizados no planeamento da contratação, sem prejuízo do disposto na alínea i) do n.º 1 do artigo 55.
2 - A consulta preliminar prevista no número anterior não pode ter por efeito distorcer a concorrência, nem resultar em qualquer violação dos princípios da não discriminação e da transparência.
3 - Quando um candidato ou concorrente, ou uma empresa associada a um candidato ou concorrente, tiver apresentado informação ou parecer à entidade adjudicante ou tiver sido consultada, nos termos dos números anteriores, ou tiver participado de qualquer outra forma na preparação do procedimento de formação do contrato, a entidade adjudicante deve tomar as medidas adequadas para evitar qualquer distorção da concorrência em virtude dessa participação.
4 - Para efeitos do disposto no número anterior, são consideradas medidas adequadas, entre outras, a comunicação aos restantes candidatos ou concorrentes de todas as informações pertinentes trocadas no âmbito da participação do candidato ou concorrente na preparação do procedimento de formação do contrato, bem como a fixação de prazos adequados para a apresentação de propostas.
Alterado porRetificação n.º 36-A/2017, de 30/10 · DL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia
Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
Epígrafe nesta redação: «Consulta preliminar ao mercado».
1 - Antes da abertura de um procedimento de formação de contrato público, a entidade adjudicante pode realizar consultas informais ao mercado, designadamente através da solicitação de informações ou pareceres de peritos, autoridades independentes ou agentes económicos, que possam ser utilizados no planeamento da contratação, sem prejuízo do disposto na alínea i) do n.º 1 do artigo 55.º.
2 - A consulta preliminar prevista no número anterior não pode ter por efeito distorcer a concorrência, nem resultar em qualquer violação dos princípios da não discriminação e da transparência.
3 - Quando um candidato ou concorrente, ou uma empresa associada a um candidato ou concorrente, tiver apresentado informação ou parecer à entidade adjudicante ou tiver sido consultada, nos termos dos números anteriores, ou tiver participado de qualquer outra forma na preparação do procedimento de formação do contrato, a entidade adjudicante deve tomar as medidas adequadas para evitar qualquer distorção da concorrência em virtude dessa participação.
4 - Para efeitos do disposto no número anterior, são consideradas medidas adequadas, entre outras, a comunicação aos restantes candidatos ou concorrentes de todas as informações pertinentes trocadas no âmbito da participação do candidato ou concorrente na preparação do procedimento de formação do contrato, com inclusão dessas informações nas peças do procedimento.
Alterado porRetificação n.º 36-A/2017, de 30/10 — ver a cronologia
Texto da versão consolidada anterior do Decreto-Lei n.º 18/2008, aplicável aos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
Anotações Procurai
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Em síntese
Antes de abrir o procedimento, a entidade adjudicante pode consultar informalmente o mercado, pedindo informações ou pareceres a peritos, autoridades independentes ou agentes económicos, e usar essas informações no planeamento da contratação, desde que isso não distorça a concorrência nem viole a não discriminação e a transparência (n.ºs 1 e 2). Quando quem participou na preparação concorre depois, a entidade tem de tomar medidas adequadas para neutralizar a vantagem (n.ºs 3 e 4).
Na prática
- É a base legal expressa para o que muitas entidades já faziam sem cobertura: perceber preços, soluções técnicas e disponibilidade do mercado antes de escrever o caderno de encargos.
- Serve diretamente o cálculo do valor estimado do contrato, que admite os preços obtidos na consulta preliminar como critério objetivo (artigo 17.º, n.º 7), e do preço base, quando a entidade o fixe (artigo 47.º).
- O n.º 3 trata do efeito colateral: quem participou na preparação, ou empresa associada, pode ficar em vantagem, e a entidade tem de tomar medidas para a neutralizar antes de considerar qualquer exclusão.
- O n.º 4 concretiza essas medidas, entre outras: comunicar a todos os candidatos e concorrentes as informações pertinentes trocadas, e fixar prazos adequados para as propostas. Até 30 de setembro de 2026, a comunicação fazia-se incluindo essas informações nas peças do procedimento; a redação nova já não o exige.
- O mesmo regime aplica-se às iniciativas espontâneas (artigo 35.º-B) e ao período de teste de sistemas de informação (artigo 35.º-C).
Cuidados
A exclusão de quem participou na preparação é o último recurso, não o primeiro: só quando a vantagem falseie as condições normais de concorrência (artigo 55.º, n.º 1, alínea i)) e não possa ser corrigida por medidas menos gravosas. A diretiva exige ainda que, antes de excluir, se dê ao operador oportunidade de mostrar que a sua participação não distorce a concorrência; o Código não o diz, e é prudente ouvi-lo na mesma. Na prática, a consulta preliminar protege-se documentando-a: quem foi consultado, o que foi perguntado e respondido, e o que dessa informação foi partilhado com todos, por escrito e com data, agora que as peças deixaram de ser o registo obrigatório.
Relacionados
Nesta revisão
O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.
Referido em
Artigo anterior
Artigo 35.º — Anúncio periódico indicativo
Artigo seguinte
Artigo 35.º-B — Iniciativas espontâneas
O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.
Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.