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Parte III · Secção I — Disposições gerais

Artigo 407.º-A — Transferência de risco de exploração.

Texto da republicação (DL 177/2026)Anotações atualizadas em setembro de 2026

1 - O contrato de concessão envolve uma significativa e efetiva transferência para o concessionário de um risco de exploração das obras públicas ou dos serviços, podendo consistir num risco ligado à procura ou à oferta, ou a ambos.

2 - Considera-se que o concessionário assume um risco de exploração quando, cumulativamente:

a) Em condições normais de exploração, não há garantia de que recupere os investimentos efetuados ou as despesas suportadas no âmbito da exploração das obras ou dos serviços que são objeto da concessão;

b) A parte do risco transferido para o concessionário envolve uma exposição real às incertezas do mercado.

Alterado porDL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia

Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.

Anotações Procurai

Por , Head of Public Sector na Closer

Em síntese

O contrato de concessão envolve uma significativa e efetiva transferência para o concessionário de um risco de exploração das obras ou dos serviços, ligado à procura, à oferta ou a ambos (n.º 1). O concessionário assume esse risco quando, cumulativamente, não tem garantia de recuperar, em condições normais, os investimentos e as despesas da exploração (alínea a)), e a parte do risco transferida envolve uma exposição real às incertezas do mercado (alínea b)) (n.º 2).

Na prática

  • A regra vinha do artigo 413.º, revogado. Na redação anterior, os dois requisitos eram alternativos, e a alínea b) exigia que as perdas potenciais não fossem «meramente nominais ou insignificantes». Desde 1 de outubro de 2026, os requisitos são cumulativos, e esse parâmetro desaparece do texto.
  • As prestações económico-financeiras ao concessionário não podem eliminar a transferência do risco de exploração (artigo 416.º).

Exemplos

Concessão de um parque de estacionamento em que o concessionário recebe as tarifas dos utilizadores, sem garantia de ocupação. Há risco de procura e exposição real ao mercado: é uma concessão.

Contrato em que a entidade garante ao operador uma receita mínima que cobre os investimentos e as despesas. Sem risco de não recuperar o investimento, falta a alínea a): não é uma concessão, e segue o regime dos contratos públicos comuns.

Erros a evitar

  • Chamar concessão a um contrato de serviços com pagamentos garantidos.
  • Desenhar compensações e garantias que eliminam, na prática, o risco transferido.

Cuidados

Sem o teste das perdas «não meramente nominais», a avaliação do risco fica apoiada nos conceitos de risco «significativo e efetivo» e de exposição «real» ao mercado. Convém fundamentar a qualificação com a matriz de riscos e com cenários de procura, para que resista a um controlo. Nos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026, vale a redação anterior do artigo 413.º.

Perguntas frequentes sobre o artigo 407.º-A

O que distingue uma concessão de um contrato público comum?

A transferência para o concessionário de um risco de exploração significativo e efetivo, ligado à procura, à oferta ou a ambos. Sem esse risco, o contrato não é uma concessão, ainda que se chame assim.

Base legalArtigo 407.º-A, n.º 1, do CCP · texto oficial

Quando se considera que o concessionário assume o risco de exploração?

Quando, cumulativamente, em condições normais de exploração, não tem garantia de recuperar os investimentos ou as despesas da exploração, e a parte do risco transferida envolve uma exposição real às incertezas do mercado.

Base legalArtigo 407.º-A, n.º 2, do CCP · texto oficial

Nesta revisão

O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.

O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.

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Informação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.

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