Parte II · Capítulo VI — Júri do procedimento
Artigo 67.º — Júri.
1 - Com exceção do ajuste direto e dos casos previstos no n.º 3, os procedimentos para a formação de contratos são conduzidos por um júri, designado pelo órgão competente para a decisão de contratar, composto, em número ímpar, por um mínimo de três membros efetivos, um dos quais preside, e dois suplentes.
2 - Os titulares do órgão competente para a decisão de contratar podem ser designados membros do júri.
3 - Tratando-se de consulta prévia ou de concurso público urgente, o órgão competente para a decisão de contratar pode decidir que os procedimentos sejam conduzidos pelos serviços da entidade adjudicante, considerando-se feitas a estes as referências feitas, no presente Código, ao júri.
4 - O júri pode ser dispensado nos procedimentos em que seja apresentada apenas uma proposta.
5 - Os membros do júri e todos os demais intervenientes no processo de análise e avaliação de propostas, designadamente peritos e consultores, estão obrigados a atuar de forma imparcial, não podendo estar em situação de conflitos de interesses, tal como identificada no n.º 4 do artigo 1.º-A.
6 - É aplicável aos sujeitos referidos no número anterior o disposto nos artigos 69.º a 76.º do Código do Procedimento Administrativo.
Alterado porDL n.º 111-B/2017, de 31/08 · DL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia
Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
1 - Com exceção do ajuste direto e dos casos previstos no n.º 3, os procedimentos para a formação de contratos são conduzidos por um júri, designado pelo órgão competente para a decisão de contratar, composto, em número ímpar, por um mínimo de três membros efetivos, um dos quais preside, e dois suplentes.
2 - Os titulares do órgão competente para a decisão de contratar podem ser designados membros do júri.
3 - Tratando-se de consulta prévia ou de concurso público urgente, o órgão competente para a decisão de contratar pode decidir que os procedimentos sejam conduzidos pelos serviços da entidade adjudicante, considerando-se feitas a estes as referências feitas, no presente Código, ao júri.
4 - O júri pode ser dispensado nos procedimentos em que seja apresentada apenas uma proposta.
5 - Antes do início de funções, os membros do júri e todos os demais intervenientes no processo de avaliação de propostas, designadamente peritos, subscrevem declaração de inexistência de conflitos de interesses, conforme modelo previsto no anexo xiii ao presente Código e que dele faz parte integrante.
Alterado porDL n.º 111-B/2017, de 31/08 — ver a cronologia
Texto da versão consolidada anterior do Decreto-Lei n.º 18/2008, aplicável aos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
Anotações Procurai
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Em síntese
Fora o ajuste direto e os casos do n.º 3, os procedimentos são conduzidos por um júri designado pelo órgão competente para a decisão de contratar: número ímpar, mínimo de três efetivos, um dos quais preside, e dois suplentes (n.º 1). Os titulares do órgão competente podem integrá-lo (n.º 2). Na consulta prévia e no concurso público urgente, o órgão pode entregar a condução aos próprios serviços (n.º 3); com uma única proposta, o júri pode ser dispensado (n.º 4). Desde 1 de outubro de 2026, os membros do júri e todos os demais intervenientes na análise e avaliação das propostas, designadamente peritos e consultores, estão obrigados a atuar com imparcialidade, sem conflitos de interesses (n.º 5), e aplicam-se-lhes os artigos 69.º a 76.º do Código do Procedimento Administrativo (n.º 6).
Na prática
- O júri é um órgão colegial ad hoc: delibera por maioria, com atas, e as suas competências são as do artigo 69.º, analisar candidaturas e propostas, elaborar os relatórios e o que lhe for delegado, salvo a qualificação e a adjudicação (artigo 69.º, n.º 2).
- Os suplentes existem para substituir efetivos impedidos ou ausentes; um júri que delibera com dois membros porque o terceiro faltou e ninguém chamou o suplente delibera irregularmente.
- Imparcialidade (n.ºs 5 e 6). O conflito de interesses é o definido no artigo 1.º-A, n.º 4. O regime do Código do Procedimento Administrativo traz os impedimentos, o dever de os comunicar, a escusa e a suspeição, e a invalidade dos atos em que intervenha quem estava impedido. Abrange quem analisa e avalia, com ou sem direito de voto.
- Fim do anexo XIII. A declaração-modelo de inexistência de conflitos de interesses desaparece. O dever mantém-se, e continua a ser boa prática registar por escrito, antes de a análise começar, que cada interveniente verificou não estar impedido.
- Designar o júri é competência do órgão competente para a decisão de contratar; a designação pode vir na própria decisão de contratar ou em ato separado, mas tem de existir antes de o júri atuar.
Exemplos
Consulta prévia para serviços de manutenção, conduzida pelos serviços de aprovisionamento. Admissível ao abrigo do n.º 3, por decisão do órgão competente; os serviços passam a ser tratados, para todos os efeitos do Código, como se fossem o júri, incluindo o dever de imparcialidade.
Concurso público em que um membro efetivo do júri é irmão do gerente de um concorrente. É um impedimento do Código do Procedimento Administrativo: o membro comunica-o de imediato, é substituído pelo suplente e a substituição fica em ata. Participar sem o comunicar contamina a avaliação e é fundamento de impugnação.
Concurso limitado em que o júri recorre a um perito para avaliar a componente técnica. O perito fica sujeito ao mesmo dever de imparcialidade que os membros do júri, e convém que declare por escrito, antes de ver as propostas, que não está impedido. O júri mantém a decisão: o perito apoia, não vota.
Erros que aparecem em auditoria
- Júri designado depois de as propostas terem sido abertas ou analisadas.
- Júri par, ou sem suplentes designados.
- Intervenientes impedidos que não comunicam a situação e participam na avaliação.
- Nos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026, declarações do anexo XIII em falta ou assinadas depois do relatório preliminar.
Cuidados
O dever de imparcialidade mantém-se e ficou mais exigente, com as consequências do Código do Procedimento Administrativo; o que desaparece é o documento-modelo que o provava. Sem declaração obrigatória, o registo escrito da verificação de conflitos passa a depender da entidade, e é esse registo que o Tribunal de Contas, a inspeção e os tribunais vão pedir. A declaração de inexistência de conflitos de interesses do Regime Geral da Prevenção da Corrupção é um dever distinto, que não depende do Código.
Perguntas frequentes sobre o artigo 67.º
Quantos membros tem o júri de um procedimento?
Número ímpar, com um mínimo de três membros efetivos, um dos quais preside, e dois suplentes, todos designados pelo órgão competente para a decisão de contratar. Os titulares desse órgão podem ser designados membros do júri.
Base legalArtigo 67.º, n.ºs 1 e 2, do CCP · texto oficial
Quando pode um procedimento correr sem júri?
No ajuste direto, sempre; na consulta prévia e no concurso público urgente, quando o órgão competente decida que os serviços conduzem o procedimento; e em qualquer procedimento em que seja apresentada apenas uma proposta, em que o júri pode ser dispensado.
Base legalArtigo 67.º, n.ºs 1, 3 e 4, do CCP · texto oficial
Os membros do júri e os peritos ainda assinam a declaração de conflitos de interesses?
Não, nos procedimentos iniciados desde 1 de outubro de 2026: o anexo XIII é revogado. Os membros do júri e os demais intervenientes na análise e avaliação, incluindo peritos e consultores, têm de atuar com imparcialidade e sem conflitos de interesses, e aplicam-se-lhes os impedimentos, a escusa e a suspeição dos artigos 69.º a 76.º do Código do Procedimento Administrativo. Nos procedimentos iniciados até 30 de setembro, a declaração continua devida.
Base legalArtigo 67.º, n.ºs 5 e 6, do CCP · texto oficial
Relacionados
Nesta revisão
O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.
Referido em
Artigo anterior
Artigo 66.º — Classificação de documentos da proposta
Artigo seguinte
Artigo 68.º — Funcionamento
O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.
Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.