A Procurai já aplica a revisão do CCP.Ver o que muda

Parte III · Capítulo VII — Incumprimento do contrato

Artigo 329.º — Aplicação das sanções contratuais.

Texto da republicação (DL 177/2026)Anotações atualizadas em setembro de 2026

1 - Nos termos previstos no presente Código, o contraente público pode, a título sancionatório, resolver o contrato e aplicar as sanções previstas no contrato ou na lei em caso de incumprimento pelo cocontratante.

2 - Quando as sanções a que se refere o número anterior revistam natureza pecuniária, o respetivo valor acumulado não pode exceder 20 % do preço contratual, sem prejuízo do poder de resolução do contrato prevista no capítulo seguinte.

3 - Nos casos em que seja atingido o limite previsto no número anterior e o contraente público decida não proceder à resolução do contrato, por dela resultar grave dano para o interesse público, aquele limite é elevado para 30 %.

4 - Para efeitos dos limites previstos nos n.os 2 e 3, quando o contrato previr prorrogações expressas ou tácitas, o valor das sanções a aplicar deve ter por referência o preço do seu período de vigência inicial.

5 - Quando as sanções aplicadas atingirem o valor a que se refere o n.º 2, o contraente público deve comunicar tal facto ao Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção, I. P., no prazo de 10 dias após os atos que as aplicaram se tornarem inimpugnáveis, para publicação na área pública do portal dos contratos públicos.

Alterado porDL n.º 111-B/2017, de 31/08 · DL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia

Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.

Anotações Procurai

Por , Head of Public Sector na Closer

Em síntese

O contraente público pode, a título sancionatório, resolver o contrato e aplicar as sanções previstas no contrato ou na lei em caso de incumprimento. As sanções de natureza pecuniária têm teto: o valor acumulado não pode exceder 20 % do preço contratual, elevável a 30 % quando esse limite seja atingido e o contraente público decida não resolver o contrato por daí resultar grave dano para o interesse público.

Na prática

  • Atingido o limite de 20 %, abre-se uma bifurcação com consequências: resolver (o limite das sanções é fundamento autónomo de resolução sancionatória, pela alínea e) do n.º 1 do artigo 333.º) ou continuar, subindo o teto para 30 % mediante ponderação fundamentada do dano ao interesse público.
  • Havendo prorrogações expressas ou tácitas, o valor das sanções tem por referência o preço do período de vigência inicial (n.º 4), e não o preço acumulado com as renovações.
  • As sanções pressupõem previsão contratual ou legal: o que não estiver no contrato não se aplica por analogia.
  • Desde 1 de outubro de 2026, quando as sanções atingem 20 % do preço, o contraente público comunica-o ao IMPIC, em 10 dias após os atos que as aplicaram se tornarem inimpugnáveis, para publicação no portal dos contratos públicos (n.º 5).

Cuidados

O teto dos 20 % é, na prática, um indicador de gestão e não apenas um limite jurídico: um contrato que acumula sanções nessa ordem de grandeza está materialmente falhado, e a decisão de o manter tem de ser tomada e fundamentada, não deixada correr por inércia. E convém desenhar as cláusulas sancionatórias com este teto em mente — penalidades diárias generosas atingem os 20 % muito antes do que se supõe, e a partir daí a entidade fica sem instrumento sancionatório que não seja a resolução.

Nesta revisão

O que muda neste artigo a 1 de outubro de 2026, nota a nota.

Remissões no Código

Remetem para este artigo

O Crivo cita os artigos do CCP nas validações que faz a cada procedimento — este incluído. Veja como na demonstração.

Pedir demonstração

Informação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.

Esta página foi útil?

Resposta anónima: não pedimos nem guardamos nome, email ou endereço IP.