Parte II · Capítulo III — Peças do procedimento
Artigo 43.º-A — Caderno de encargos do procedimento de formação de contratos de empreitada de conceção-construção.
1 - Nos casos em que a entidade adjudicante preveja a elaboração do projeto de execução como aspeto da execução do contrato a celebrar, o caderno de encargos deve ser integrado apenas por um programa preliminar e o valor estimado indicado no convite ou programa do procedimento deve discriminar separadamente os montantes correspondentes à conceção e à execução da obra.
2 - Nos casos previstos no número anterior, o caderno de encargos pode prever determinados marcos de execução relevantes para efeitos de pagamentos, bem como a distribuição percentual do preço contratual pelo cumprimento desses marcos.
3 - Nos casos previstos no número anterior, o projeto de execução elaborado pelo cocontratante não inclui a lista de preços unitários referida na alínea a) do n.º 2 do artigo 57.º
4 - No caso previsto no n.º 1, o contrato a celebrar não é considerado um contrato misto para os efeitos do disposto no artigo 32.º
Alterado porDL n.º 177/2026, de 04/09 — ver a cronologia
Texto da republicação do Código no anexo II do Decreto-Lei n.º 177/2026; em caso de dúvida, prevalece a publicação oficial no Diário da República.
O artigo 43.º-A não existia na redação anterior: foi aditado pelo Decreto-Lei n.º 177/2026.
Anotações Procurai
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Em síntese
O artigo 43.º-A regula o caderno de encargos da conceção-construção: a empreitada em que a entidade adjudicante põe a elaboração do projeto de execução a cargo do empreiteiro. O caderno de encargos inclui apenas um programa preliminar, e o valor estimado, indicado no convite ou no programa do procedimento, separa os montantes da conceção e da execução da obra (n.º 1). O caderno pode fixar marcos de execução para os pagamentos (n.º 2), o projeto do empreiteiro dispensa a lista de preços unitários (n.º 3), e o contrato não é tratado como misto (n.º 4).
Na prática
- De onde vem. A regra do n.º 1 estava no n.º 3 do artigo 43.º. Na redação anterior, era o preço base, fixado no caderno de encargos, que separava os montantes máximos da conceção e da execução; agora é o valor estimado.
- Programa preliminar. Tem o conteúdo obrigatório fixado pela portaria do artigo 43.º, n.º 7, e, se faltar, o caderno de encargos é nulo (artigo 43.º, n.º 8, alínea a)). O projeto de execução que o empreiteiro elaborar tem de vir acompanhado dos elementos do artigo 43.º, n.º 5, que a obra justifique.
- Pagamento por marcos (n.º 2). É novo: o caderno pode definir marcos de execução relevantes para os pagamentos e a distribuição percentual do preço contratual por esses marcos.
- Sem lista de preços unitários (n.º 3). O projeto de execução do empreiteiro não inclui a lista de preços unitários do artigo 57.º, n.º 2, alínea a). À letra, a dispensa vale para os casos do «número anterior», os dos marcos de pagamento.
- Não é contrato misto (n.º 4). A conceção e a construção formam uma empreitada, e o procedimento escolhe-se pelas regras das empreitadas (artigo 19.º).
Exemplos
Um município quer construir uma piscina e tem apenas o programa funcional. Lança uma conceção-construção: o caderno leva o programa preliminar, com o conteúdo da portaria, e o valor estimado indica em separado quanto prevê para o projeto e para a obra. O caderno fixa três marcos de pagamento, por exemplo projeto aprovado, estrutura concluída e receção provisória, cada um com a sua percentagem do preço.
Uma entidade recorre à conceção-construção para ganhar tempo, com um programa preliminar de duas páginas. Se o programa não tiver o conteúdo obrigatório da portaria, o caderno de encargos é nulo. E, mesmo que o tenha, um programa vago dá propostas que não se conseguem comparar.
Erros a evitar
- Indicar um valor estimado global, sem separar a conceção da execução da obra.
- Programa preliminar sem o conteúdo obrigatório da portaria.
- Marcos de pagamento sem critério objetivo de verificação, que deixam a libertação do preço à discussão com o empreiteiro.
- Tratar o contrato como misto e procurar o objeto principal pelo artigo 32.º.
Cuidados
A conceção-construção transfere para o empreiteiro o risco do projeto, mas só se o programa preliminar definir bem o que a entidade quer: um programa vago dá propostas incomparáveis e uma obra discutida desde o início. Os marcos de pagamento simplificam a gestão, desde que cada um tenha um critério objetivo de cumprimento, verificável pelo diretor de fiscalização.
Perguntas frequentes sobre o artigo 43.º-A
O que tem de conter o caderno de encargos numa conceção-construção?
Apenas um programa preliminar, com o conteúdo obrigatório fixado na portaria do artigo 43.º, n.º 7. O valor estimado, indicado no convite ou no programa do procedimento, tem de separar os montantes da conceção e da execução da obra.
Base legalArtigo 43.º-A, n.º 1, do CCP · Artigo 43.º, n.ºs 7 e 8, do CCP · texto oficial
Posso pagar uma empreitada de conceção-construção por marcos?
Sim, desde 1 de outubro de 2026. O caderno de encargos pode fixar marcos de execução relevantes para os pagamentos e a percentagem do preço contratual que corresponde ao cumprimento de cada um.
Base legalArtigo 43.º-A, n.º 2, do CCP · texto oficial
A conceção-construção é um contrato misto?
Não, para efeitos do artigo 32.º. A conceção e a construção formam uma empreitada, e o procedimento escolhe-se pelas regras das empreitadas.
Base legalArtigo 43.º-A, n.º 4, do CCP · texto oficial
Relacionados
Remissões no Código
Referido em
Artigo anterior
Artigo 43.º — Caderno de encargos do procedimento de formação de contratos de empreitada
Artigo seguinte
Artigo 44.º — Cadernos de encargos relativos a contratos de concessão
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