Revisão do CCP 2026 · Novos procedimentos
Consulta prévia especial: cinco convidados, sem publicidade, até 2 milhões de euros
Por Mara Ribeiro Duarte, Head of Public Sector na Closer
Artigos afetadosArtigos 127.º-A, 127.º-B e 127.º-C · artigos 2.º a 16.º da Lei n.º 30/2021 (revogados)
O que muda
Novo procedimento em que a entidade adjudicante convida diretamente pelo menos cinco entidades à sua escolha, regendo-se supletivamente pelas regras da consulta prévia de regime geral. Exige três condições cumulativas: valor estimado inferior aos limiares europeus; e inferior a 2 000 000 € — a alteração de 1 de outubro duplicou o teto de 1 milhão que a redação anterior previa; e objeto numa de seis áreas: fundos europeus; habitação pública ou de custos controlados; imóveis descentralizados para municípios; equipamentos, licenças, nuvem, consultoria e obras necessárias à transformação digital; construção ou reabilitação na saúde, cuidados continuados e apoio social; ou intervenções consideradas prioritárias por despacho do membro do Governo.
São revogados os artigos 2.º a 16.º da Lei n.º 30/2021 — os artigos 17.º a 19.º da Lei n.º 30/2021 subsistem, ao contrário do que o projeto previa.
O que implica na prática
O artigo 127.º-A, n.º 3, manda aplicar «os n.ºs 2 a 6 do artigo 161.º-B» — mas o artigo 161.º-B publicado só tem quatro números. A remissão captura os n.ºs 2, 3 e 4 (dispensa de caução com condições, artigo 88.º, n.º 3, e prazos de três dias nas impugnações administrativas) e deixa de fora o n.º 1, onde estão as duas dispensas mais úteis — a de fundamentar a não adjudicação por lotes e a redução do prazo de pronúncia sobre o relatório preliminar. Ao contrário do concurso público flexível, a consulta prévia especial não beneficia dessas.
Há agora um travão de acumulação, que a redação anterior não tinha: o novo artigo 127.º-C impede convidar quem já tenha recebido adjudicações por consulta prévia especial, no ano em curso e nos dois anteriores, em prestações do mesmo tipo, de valor acumulado igual ou superior a 2 000 000 € em empreitadas e concessões, ou aos limiares europeus nos restantes casos.
O que fazer
Documentar por escrito a verificação das três condições cumulativas e instituir o controlo de acumulação do artigo 127.º-C por fornecedor e por tipo de prestação — que agora é dever legal, e não boa prática.
O regime descrito está em vigor desde 1 de outubro de 2026, com a redação do Código dos Contratos Públicos dada pelo Decreto-Lei n.º 177/2026, de 4 de setembro. Aos procedimentos iniciados até 30 de setembro continua a aplicar-se a redação anterior.
As duas redações
O texto em vigor até 30 de setembro de 2026 e o da republicação pelo Decreto-Lei n.º 177/2026, lado a lado.
Artigo 127.º-A — Noção e regime de consulta prévia especial
Ver a página do artigoAté 30 de setembro de 2026
O artigo não existe na redação anterior.
A partir de 1 de outubro de 2026
1 - A consulta prévia especial é o procedimento em que a entidade adjudicante convida diretamente pelo menos cinco entidades à sua escolha a apresentar proposta.
2 - A consulta prévia especial rege-se, com as necessárias adaptações, pelas disposições que regulam a consulta prévia de regime geral, em tudo o que não esteja especialmente previsto na presente secção.
3 - À consulta prévia especial é aplicável o disposto nos n.os 2 a 6 do artigo 161.º-B.
Artigo 127.º-B — Âmbito e condicionalismos de adoção da consulta prévia especial
Ver a página do artigoAté 30 de setembro de 2026
O artigo não existe na redação anterior.
A partir de 1 de outubro de 2026
O procedimento de consulta prévia especial pode ser adotado para a formação de contratos, quando o valor estimado do contrato for, simultaneamente, inferior aos limiares referidos nos n.os 2, 3 ou 4 do artigo 474.º, consoante o caso, e inferior a 2 000 000 €, que tenham por objeto:
a) A execução de projetos financiados ou cofinanciados por fundos europeus;
b) A promoção de habitação pública ou de custos controlados, bem como naquela cujas competências de gestão patrimonial foram transferidas para os municípios;
c) A intervenção nos imóveis cuja titularidade e gestão tenha sido transferida para os municípios, no âmbito do processo de descentralização de competências;
d) A locação ou a aquisição de equipamentos informáticos, a aquisição, renovação, prorrogação ou manutenção de licenças ou serviços de software, a aquisição de serviços de computação ou de armazenamento em cloud, assim como a aquisição de serviços de consultoria ou assessoria e a realização de obras necessárias ao desenvolvimento de processos de transformação digital;
e) A locação ou aquisição de bens móveis, a aquisição de serviços ou a realização de obras públicas e se destinem à construção, renovação ou reabilitação de imóveis no âmbito do setor da saúde, das unidades de cuidados continuados e integrados, e do apoio social no âmbito das pessoas idosas, da deficiência, da infância e da juventude;
f) A promoção de intervenções que, por despacho do membro do Governo responsável pelo respetivo setor de atividade, sejam consideradas prioritárias ou estratégicas para o desenvolvimento regional ou nacional.
Artigo 127.º-C — Escolha das entidades convidadas
Ver a página do artigoAté 30 de setembro de 2026
O artigo não existe na redação anterior.
A partir de 1 de outubro de 2026
1 - Além das referidas nos n.os 5 e 6 do artigo 113.º, também não podem ser convidadas a apresentar propostas em procedimentos de consulta prévia especial entidades às quais a entidade adjudicante já tenha adjudicado, no ano económico em curso e nos dois anos económicos anteriores, na sequência de consulta prévia especial, propostas para a celebração de contratos cujo objeto seja constituído por prestações do mesmo tipo das do contrato a celebrar e cujo preço contratual acumulado seja:
a) Igual ou superior a 2 000 000 €, no caso de empreitadas e concessões de obras públicas ou de concessões de serviços;
b) Igual ou superior aos limiares referidos nas alíneas b) ou c) do n.º 3 ou na alínea b) do n.º 4 do artigo 474.º, consoante o caso.
2 - Para efeitos do disposto no número anterior, são do mesmo tipo as prestações que se revelem aptas a satisfazer uma mesma necessidade da entidade adjudicante.
Mais sobre novos procedimentos
Nota anterior
Concessões: novas regras de cálculo do valor estimado
Nota seguinte
Regime de flexibilização do concurso público: o que permite e onde parar
Desde 1 de outubro, o Crivo aplica esta mudança em cada procedimento que valida. Veja como na demonstração.
Pedir demonstraçãoInformação de carácter geral, baseada na versão consolidada do CCP (Decreto-Lei n.º 18/2008). Não constitui aconselhamento jurídico.